“C de Casa” (UPA editora, 2025) é um abecedário emocional sobre pertença e identidade, sobre a casa – esse abrigo, aconchego, conforto e intimidade, refúgio para momentos alegres, tristes e inesquecíveis, para uma vida. O nosso mundo interior.
Um livro indutor de diálogo, perguntador: O que é uma casa? Onde pertencemos? Como se constrói um lugar de afecto? A casa abraça? Escuta e sente? É guardiã de memórias? Um lugar divertido? Um lugar de chegada ou de partida? Um lugar de amor? De segurança?

A narrativa assenta na estrutura das letras — um abecedário que não é didáctico no sentido tradicional, antes poético e evocativo. A palavra casa induz, evoca uma imagem, uma sensação ou uma memória associada à “casa”: cheiros, objectos, rotinas, sons, afectos, emoções, primeiras vivências, infância. A narrativa, feita de frases curtas e ritmadas, recorda uma espécie de cantilena que abre porta à oportunidade de uma excelente leitura, em voz alta ou através de jogos sonoros, feita em família ou em grupo.
As paletas de cores são quentes e, nelas, habitam alguma melancolia luminosa, criando um ambiente acolhedor entre o real e o onírico, onde a casa parece, simultaneamente, física e emocional.

“C de Casa” fala-nos da casa – da casa de cada um de nós: a que construímos, a que sentimos e a que vivemos intensamente. Serão todas as casas iguais? Teremos apenas uma casa ou muitas casas? O livro confia no leitor e não é meramente elucidativo: sugere, convoca, implora significados. A escrita subtil de Andreia Nunes encontra, nas ilustrações de Rubem Ramires, o complemento – e diálogo – perfeito, abrindo portas a novas leituras e oferecendo ao leitor um álbum poético, que abraça palavras, sons e memórias, explorando a ideia da casa como espaço físico, emocional e simbólico. Um álbum delicado e sensível.











Sem Comentários