A DC Comics está de regresso às livrarias nacionais pela mão da Devir, e logo com uma das mais emblemáticas e enigmáticas histórias do Homem-Morcego, na qual o protagonismo – um pouco como no Batman de Keaton e Nicholson – vai, em grande parte, para o vilão.
Com argumento de Geoff Johns, desenho de Jason Fabok e cores de Brad Anderson, “Três Jokers” (Devir, 2025) é uma homenagem ao vilão mais louco com que Batman se deparou – e com quem partilha alguma dessa centelha de insanidade -, e que ao longo do tempo – e da história dos comics – foi servindo de alimento a uma série de teorias – e isto muito antes de ter chegado em nome próprio e com grande pompa ao grande ecrã.

Geoff Johns baralha e volta a dar temas centrais do universo de Batman, explorando aqui a questão da identidade, apresentando Joker como um vilão que é, afinal, não um mas três diferentes personas – e pessoas: O Criminoso, a versão mais calculista e muito perto da genialidade; O Palhaço, mais propenso ao humor sádico; e O Comediante, adepto de fazer de cada piada um assassínio.
Neste confronto com a multiplicidade, Bruce Wayne recorda a morte dos pais numa altura em que surge a notícia da execução dos “últimos membros da decadente família do crime Moxon” pelo Joker. Família que, durante muito tempo, foi a principal suspeita da morte dos pais de Bruce, até o crime ser confessado por Joe Chill, um carteirista a cumprir uma pena perpétua.

Do elenco fazem também parte Batgirl e Jason, sobre o qual Batman mostra algum arrependimento por ter descurado o cuidado. Ainda assim, Jason saca de uma das melhores piadas sobre a raridade de se ser pendura no Batmobile: “Todos os batmóveis em que já entrei têm o lugar do pendura demasiado pequeno. Parece que não queres mesmo que ninguém se sente aqui”.
Um álbum onde Jason Fabok dá cartas no desenho e Brad Anderson saca dos ases para misturar as melhores cores, ajudando a fazer desta história carregada de trauma, questionadora da identidade e preocupada com o legado um livro obrigatório para os fãs de Batman, mesmo que faltando algum desenvolvimento à história tripartida do Joker.
Para o final está guardada uma bela prenda: quatro páginas adicionais que incluem capas alternativas, biografias dos autores e uma contextualização da história. Um grande regresso da DC Comics numa edição caprichada de Devir – aquele verniz localizado na capa é um mimo.











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