Não será, certamente, uma das séries em publicação mais bem desenhadas, mas o traço algo descuidado vê-se compensado por uma história pós-apocalíptica que decorre, quase sempre, entre-muralhas. É aí que o que o pouco que resta da humanidade se refugiou, tentando escapar à fúria de gigantes humanóides conhecidos como Titãs, cujas razões para tamanha fúria – e o seu apetite gourmet por humanos – é de todos desconhecida.

“Ataque dos Titãs 3” (Distrito Manga, 2025) mostra-nos um corpo de exploração que procura avançar para lá da segunda muralha, tentando recuperar o território perdido durante a última invasão. Eren, o improvável herói que parece ser capaz de assumir a forma de um titã, não se lembra de ter saído de dentro de um corpo destas criaturas. A memória não foi porém perdida, recuperando algo que em tempos o pai lhe disse sobre a chave que transporta ao pescoço – e que poderá ser fundamental para o futuro próximo: “Leva esta chave contigo sempre. E quando olhares para ela lembra-te que tens de ir para a cave, a todo o custo”.
Em destaque neste volume está também Dot Pixis, o responsável pelo distrito de Trost e por todo o território a sul da muralha, visto como “um excêntrico inveterado”, que perante o clima de revolta instalado lança um grito de alerta sobre as tropas: “Se a humanidade cair, não será porque foi devorada pelos titãs; mas sim, porque nos aniquilámos uns aos outros!!”.

A pergunta a que o “Ataque dos Titãs 4” (Distrito Manga, 2025) pretende responder é esta: será Eren realmente uma arma secreta, capaz de entrar num corpo de um titã e tomar conta da sua consciência? A resposta imediata parece ser “não”, entrando numa hibernação que o deixa incapaz de ligar a sua consciência à da criatura.
Porém, é neste estado adormecido que Eren recorda a farsa dos treinos, em que os mais capazes de enfrentar os titãs acabavam por ficar confinados na segurança das muralhas, enquanto os mais incapazes eram enviados para a primeira linha, numa espécie de punição.

Neste limbo, enquanto Eren dorme o sonho do monstro adormecido, os companheiros vão tratando de questionar as suas escolhas de vida, deixando-se dominar pelo arrependimento: “Se soubéssemos que seria este inferno, nunca teríamos escolhido o exército”. O final, servido com desmaios e algemas, promete uma expedição a território titã, para a qual será necessária a paz interior em que o Mestre Shifu era rei e senhor no Kung Fu Panda. Veremos se Eren é tão bom discípulo quanto Po.











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