O universo das distopias ou cenários pós-apocalípticos pode estar a caminho da sobrelotação, mas para objectos com o grau de estranheza de Ataque dos Titãs (ed. Distrito Manga) há sempre um lugar nas filas da frente. Estamos dentro de uma cidade muralhada, lugar onde a Humanidade – ou o pouco que restou dela – se refugiou para escapar à fúria de gigantes humanóides conhecidos como Titãs, criaturas de que pouco ou nada se sabe. Três monumentais muralhas parecem ser suficientes para que os humanos consigam levar uma vida pacífica ainda que encurralada, mas o aparecimento de um Titã monumental, capaz de as saltar como quem joga à macaca, irá colocar de novo a sua sobrevivência em causa.

No primeiro volume somos apresentados a jovens como Eren e Mikara, com visões bem distintas sobre aquilo que querem escolher para o seu futuro. Eren quer juntar-se ao Corpo de Exploração, para conhecer o que existe fora das muralhas e, quando a altura chegar – se chegar -, enfrentar os Titãs. Para ele, “aqueles que vivem felizes dentro de uma gaiola é que são estúpidos!”.
É neste volume que nos é dado a conhecer o pouco que se sabe dos Titãs, bem como o seu ponto fraco, num final a fazer lembrar a Guerra dos Tronos que apaga todas as luzes lançando o leitor numa escuridão profunda. Como bónus, há ainda uma entrevista com Hajime Isayama, que deverá ser guardada para mais tarde para não dar cabo da leitura dos volumes seguintes.

O segundo volume coloca a fasquia uns bons centímetros acima, numa altura em que o Titã Colossal atravessou a primeira linha de defesa da Humanidade, mais concretamente a Muralha Maria. A acção decorre agora no interior da segunda barreira, a Muralha Rosa, e Mikasa Ackerman – amiga de Eren e principal figura do 104 Corpo de Instrução – parece ser a pessoa indicada para travar a ameaça, mesmo que um passado sombrio ameace fazer mossa. O coeficiente de inteligente dos titãs pode ser baixo, compensado de forma absurda pela sua vontade de devorar humanos.

A batalha parece estar mais do que perdida, até que um novo Titã surge do nada, decidindo deixar os humanos de lado ao virar-se contra a sua própria espécie. Hajime Isay vai alternando a narrativa com diversas páginas com “informação disponível ao público”, que vão de pontos geográficos de interesse a descrições de armas, pausas perfeitas para uma série onde a velocidade de ponta não dá direito a multas. O final, carregado de drama, abre as portas ao terceiro volume, à boleia de um lema que promete mais uns quantos tomos: “A nossa batalha ainda agora começou!”. Os desenhos não são dos mais aprimorados, mas por enquanto a trama vale a Ataque dos Titãs muito mais do que apenas um voto de confiança.











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