Violência e feminismo, decolonialidade e ecologia, arte e vida. São estes os destaques da Orfeu Negro para 2026. Aqui ficam os títulos que vão chegar às livrarias durante este ano.

UMA TEORIA FEMINISTA DA VIOLÊNCIA
Françoise Vergès
trad. Pedro Elói Duarte
Lançamento: Janeiro
Os debates em torno da igualdade de género são um repertório de violência: assédio, violação, abuso, feminicídio. Palavras que designam uma realidade cruel, mas escondem outra: a da violência de género cometida com a cumplicidade do Estado. Em “Uma Teoria Feminista da Violência”, Françoise Vergès denuncia a viragem carcerária na luta contra o sexismo e a obsessão punitiva do Estado, que, ao centrar-se nos «homens violentos», omite a origem da sua violência.

ROSA: HISTÓRIA DE UMA COR
Michel Pastoureau
trad. José Alfaro
Lançamento: Janeiro
Adorado e odiado, o rosa tem hoje uma conotação de género tão forte, que é difícil imaginá-lo com outro significado. Tendo sido no século XVIII uma cor marcadamente masculina, ao longo da sua história associou-se ao romantismo e à excentricidade, ao recato mas também à vulgaridade. Decisivo na feminização do cor-de rosa foi o lançamento da boneca Barbie, em 1959, que viria a desencadear uma nova vaga de lutas feministas. Em “Rosa: História de Uma Cor”, Michel Pastoureau reconstitui a longa e turbulenta saga desta cor controversa na Europa, desde a Antiguidade até aos nossos dias.

A FELIZ E VIOLENTA VIDA DE MARIBEL ZIGA
Itziar Ziga
trad. Margarida Amado Acosta
Lançamento: Fevereiro
“A Feliz e Violenta Vida de Maribel Ziga” retrata uma infância marcada pela brutalidade de um pai violento e de uma mãe que, contra toda as adversidades, tenta criar as filhas com amor e liberdade. Mais do que um relato de violência doméstica, Itziar Ziga encontra na história da sua mãe, Maribel, reverberações com a de tantas outras mulheres, enredadas nas múltiplas violências patriarcais e macropolíticas que sustêm as sociedades ocidentais. Escrito a partir da dor, de voos furtivos às recordações da violência, este é um exercício de reparação pessoal e colectiva, inflamado de raiva e de alegria de viver.

SEM LIMITES, SEM VERGONHA
May Ayim
trad. Gilda Lopes Encarnação
Lançamento: Fevereiro
“Sem Limites, Sem Vergonha” reconstitui o percurso pessoal, os estudos, as viagens, a investigação, a poesia e as intervenções públicas de May Ayim, uma das figuras mais influentes do movimento negro na Alemanha. Publicada em 1997, um ano após o seu suicídio, May Ayim reuniu nesta obra os seus ensaios, entrevistas e discursos mais importantes, produzindo um inventário do racismo, da discriminação, da intolerância e da exclusão na Alemanha reunificada. O seu trabalho não só fez avançar os direitos e a representação das comunidades afrodescendentes, como marcaria os estudos pós-coloniais alemães, colocando May Ayim na linha de frente das lutas feministas e anti-racistas globais.

O SEXO QUE NÃO É UM SEXO
Luce Irigaray
trad. Pedro Elói Duarte
Lançamento: Março
Clássico do feminismo psicanalítico e obra de referência dos estudos de género, “O Sexo que não é um Sexo” é uma aventura reflexiva profunda sobre o estatuto da mulher no discurso filosófico ocidental e na teoria psicanalítica, particularmente incisiva nas questões da diferença entre os sexos. Ao longo de onze ensaios, Luce Irigaray interroga as estruturas de linguagem e de pensamento centradas no homem. Serve-se para isso de uma prática de escrita que desconcerta a uniformidade de um discurso, a monotonia de um género, a autocracia de um sexo. Se um «falar mulher» é possível, este é um primeiro passo em direcção a um discurso feminino.

UMA ECOLOGIA DECOLONIAL
Pensar a partir do mundo caribenho
Malcom Ferdinand
trad. Júlio Henriques
Lançamento: Março
Vivemos hoje no centro de uma tempestade. O ambientalismo, na sua pretensão universal, propõe uma arca de Noé que esconde no seu interior as desigualdades sociais, as discriminações de género, os racismos e os contextos (pós-)coloniais, e abandona no cais os pedidos de justiça. “Uma Ecologia Decolonial”parte do mundo caribenho, onde imperialismos, esclavagismos e destruições de paisagens entrelaçaram violentamente os destinos de europeus, ameríndios e africanos. Perante a tempestade, este livro é um convite para construir um navio-mundo onde os encontros entre humanos e não-humanos no convés da justiça desenham o horizonte de um mundo comum.

AO LONGE A LIBERDADE
Ensaio sobre Tchékhov
Jacques Rancière
trad. Pedro Elói Duarte
Lançamento: Abril
Um dia, por acaso, num qualquer lugar, a rotina da servidão é interrompida por uma aparição: a liberdade está lá, ao longe, acenando e indicando que outra vida é possível. A partir dos contos de Tchékhov, Jacques Rancière revela as formas discretas de resistência que assombram os seus relatos — uma fuga sonhada, uma recusa silenciosa, um amanhecer incerto — e que criam, na espessura cinzenta do quotidiano, brechas onde se esboça a ideia de outra vida. “Ao Longe a Liberdade” ressoa com a nossa própria época: como esperar sem ilusões, como continuar a lutar pela liberdade num mundo saturado de resignação?

AMOR E DINHEIRO, SEXO E MORTE
McKenzie Wark
Lançamento: Setembro
McKenzie Wark tem uma carreira académica de sucesso, um casamento de vinte anos, dois filhos, uma vida estável e bem encaminhada, quando uma crise profunda a leva a pôr tudo em causa. Ao chegar à meia-idade, McKenzie Wark declara-se uma mulher trans. Começa então o difícil caminho para reelaborar a sua relação com o mundo, o seu papel social, o seu corpo e outro aspecto subterrâneo: a memória. A transição de género obriga-a a revisitar as suas recordações e a reescrever o passado. Nesta série de cartas dirigidas à sua infância, à mãe, à irmã, aos amantes de ontem e de hoje, às irmãs trans e à deusa Cibele, Wark reflecte sobre os grandes temas que nos assombram a todos: “Amor e Dinheiro, Sexo e Morte”.

AS ALMAS DAS GENTES NEGRAS
W.E.B. Du Bois
trad. Guilherme Pires
Prefácio Cristina Roldão
Lançamento: Outubro
Obra seminal no campo da sociologia e um marco na história literária afro-americana, “As Almas das Gentes Negras”, publicada pela primeira vez em 1903, tem, por fim, a sua edição portuguesa. Entrelaçando sociologia, história, autobiografia, ficção e manifesto, W.E.B. Du Bois investiga, ao longo de catorze ensaios, o conceito de «dupla consciência», termo de que se serve para descrever a experiência de viver como afro-americano e ter a «sensação de estar sempre a olhar para si mesmo através dos olhos dos outros». A sua visão abrangente da natureza humana influenciou decisivamente as lutas pelos direitos civis e as discussões sobre raça e etnicidade nos Estados Unidos. Hoje, As Almas das Gentes Negras permanece um importante documento da história social e política norte-americana.











Sem Comentários