É, cumpridos nove meses e meio do calendário de 2026, uma das grandes edições mangá do ano: a republicação, em grande formato, papel a preceito e leitura no sentido oriental (da esquerda para a direita), de um verdadeiro clássico cyberpunk. Falamos de “Akira 1” (Distrito Manga, 2025), obra-prima de Katsuhiro Otomo que, antes desta edição pelo Distrito Manga, havia sido publicada integralmente pela Meribérica, nos idos anos noventa.
“No dia 6 de Dezembro de 1982, às 14h17, deu-se o lançamento de um novo modelo de bomba na região de Kanto, no sudeste do Japão”. Nove horas depois estalava a Terceira Guerra Mundial, com efeitos devastadores, que se fazem ainda sentir em 2019, ano em que decorre a acção de Akira.

A história acompanha Kaneda, Tetsuo e um grupo de motards, que têm como base aquele que foi o centro da explosão, que se acredita que será o local onde se irão realizar os próximos Jogos Olímpicos. “Jovens problemáticos que não conseguem acompanhar o nível das aulas nas outras instituições” – ou adaptar-se à vida em sociedade -, e que por isso frequentam o curso industrial,
Katsuhiro Otomo mergulha o leitor numa teia de conspirações militares, experiências secretas e poderes psíquicos devastadores, incluindo uma cápsula mais poderosa do que qualquer um dos comprimidos oferecidos em Matrix. “Quem tomar aquilo em estado puro… enlouquece ou morre”. Uma cápsula cujo uso é proibido pelo Governo, que considera o seu uso ilegítimo, mas que irá para às mãos de Kaneda, que se verá perseguido por militares e rebeldes, como se Kaneda segurasse nas suas mãos o Santo Graal.

A cidade de Neo-Tóquio desenhada por Katsuhiro Otomo traz-nos ecos de Conan, o Rapaz do Futuro, Otomo que revela possuir uma incrível organização espacial, em vinhetas onde descobrimos o sentido da vertigem e uma sensação de velocidade muito para lá da permitida por lei.
Um primeiro volume centrado na história de amizade e perda entre Kaneda e Tetsuo, e no qual o “enigma de Akira” é ainda uma sugestão, uma força destrutiva trazida do passado que ameaça o desaparecimento do planeta, dominado por uma tecnologia que conduz a espécie humana à decadência social e à total falta de empatia. Cinco estrelas.











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