A partir da sua descoberta acidental, em 1943, até os dias de hoje, o LSD transitou de medicamento promissor no tratamento de doenças mentais a bode expiatório global. Pelo meio, e para além das aplicações recreativas, foi testado em prisioneiros de guerra pela Alemanha nazi e utilizado pela CIA como “soro da verdade”.
É, no mínimo, um percurso farmacológico atribulado. Desde a sua génese à proibição, este livro desvenda a fascinante história do LSD. Simultaneamente, relança o debate sobre os potenciais benefícios terapêuticos e espirituais do alucinógeno que Norman Ohler intitula de “A Substância Mais Poderosa” (Vogais, 2025).
A narrativa conta com golpes de bastidores, negócios obscuros, viagens místicas e um curioso elenco de personagens, entre as quais Albert Hofmann (o criador do ácido), John Lennon, Elvis Presley, JFK e Richard Nixon. E, uma vez que estamos num blog de literatura, cabe-nos informar que desta obra não ficaram de fora entusiastas de alucinógenos tão célebres como Huxley, Ken Kesey, Kerouac e, como não podia deixar de ser, Hunter S. Thompson.

Para a produção do livro, o autor vasculhou arquivos e passou a pente fino registos de vários laboratórios farmacêuticos. Tendo como princípio activo um meticuloso trabalho investigativo, Norman Ohler chegou à fórmula pretendida — misturando uma dose generosa de factos notáveis com um tom provocador q.b., conseguiu sintetizar, em duas centenas de páginas, este cativante composto de não-ficção.
“A Substância Mais Poderosa” é um produto de fácil acesso e de consumo descomplicado. E, apesar de ser um preparado literário espirituoso e estimulante, não se prevêem reacções adversas de relevo. Convém não esquecer: a leitura desta crítica não dispensa a consulta da obra ou folheto informativo. Em caso de dúvida, consulte o seu livreiro, médico ou farmacêutico.











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