“A Senhora Clap e o Mundo na Palma das Mãos” (Paulinas, 2023) reúne a sensibilidade de Marta Duque Vaz e o universo visual magnífico de Danuta Wojciechowska, dando origem a uma obra delicada, poética e profundamente humana, capaz de tocar leitores de diferentes idades. O livro teve uma primeira edição em 2015, tendo conhecido uma reedição em 2023, a que foram acrescentadas as maravilhosas ilustrações de Danuta Wojciechowska.
O livro convida o leitor a abrandar o ritmo e a olhar o mundo em pormenor, com sensibilidade e imaginação. Cada um de nós transporta consigo uma forma singular de ver o mundo e, às vezes, o segredo reside em observar, escutar e sentir os pequenos gestos – como bater palmas. “A Senhora Clap é excelente a bater palmas. Bate palmas mesmo muito bem. (…) bate com as duas mãos uma na outra, num encaixe, ritmo e som absolutamente perfeitos. (…) quando bate palmas, abre muito os olhos. Tanto, tanto, que se vê tudo dentro dela (…) Foi assim que ficou famosa”.
O texto destaca-se pela musicalidade e o afecto com que apresenta a protagonista, a Senhora Clap, que desperta curiosidade e empatia desde as primeiras páginas. A escrita de Marta Duque Vaz constrói um universo sensorial, emotivo e poético, onde o quotidiano ganha novas camadas de significado. A leitura torna-se, assim, uma experiência de contemplação e descoberta, particularmente importante num tempo marcado pela rapidez e pela distracção constantes.
As ilustrações de Danuta Wojciechowska desempenham um papel essencial nesta experiência, ampliando os sentidos e acrescentando-lhe novas emoções, deixando transparecer uma dimensão onírica, feita de detalhes subtis, cores vivas, cuidadosamente equilibradas e composições que convidam o leitor a permanecer longamente em cada página. Há uma enorme expressividade visual, combinando delicadeza, textura e movimento num traço facilmente reconhecido como a linguagem artística da Danuta.
“A Senhora Clap e o Mundo na Palma das Mãos” celebra a imaginação e a sensibilidade e, quem sabe, “talvez um dia entremos numa livraria, ou numa biblioteca, e tenhamos a surpresa de encontrar, finalmente concluído, um livro raro, intitulado Tratado Universal sobre a Arte de Bater Palmas em Situações Alegres ou Tristes, da autoria da uma certa especialista em Aplausologia”. Se tal acontecer, o que teremos de fazer? Aplaudir. Aplaudir de alegria e tristeza. Aplaudir os mistérios do universo e a beleza. A vida. Nós próprios. Aplaudir de forma estrondosa, com muito carinho, porque “amar é bater palmas”.










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