A Akiara Books tem oferecido, aos leitores, um catálogo singular, poderoso e sensível para todos os leitores: mais jovens, adolescente e adultos, promovendo empatia, consciência ecológica, respeito pela diferença cultural ou sustentabilidade, entre outros temas. “A Sabedoria dos Povos Indígenas” (Akiara Books, 2024) é o terceiro da coleção «AKIWOW», que nos apresenta livros que ampliam o conhecimento e provocam o espanto. Mais um livro para leitores curiosos, nomeadamente para os que queiram mergulhar numa introdução acessível ao pensamento indígena global.
Ao ler este pequeno mas preponderante livro, ficamos a conhecer referências a comunidades nos desertos, montanhas, selvas e estepes. Aqui, contacta-se com saberes ancestrais de diversos povos indígenas do mundo, mostrando como se relacionam com a natureza, a quem se referem como «Mãe» ou «Avó», com ela mantendo uma relação de profundo respeito e reverência, através da espiritualidade, do espaço e do tempo.
“Os povos indígenas não encaram o tempo de maneira linear, mas sim de maneira cíclica”. Com os seus modos de organização, alimentação, celebração, “acreditam que a vida humana não acaba neste mundo, mas que continua no Mais Além”, resistindo aos desafios contemporâneos. A sabedoria indígena é múltipla e diversificada. Estes povos procuram uma harmonia com eco-sistemas diversos, conservam uma grande riqueza de línguas e tradições, cuidam da palavra como algo sagrado, possuem uma memória colectiva “muito desenvolvida, que exercitam todos os dias desde a infância”.

“A Sabedoria dos Povos Indígenas” é livro pensado para os mais jovens, mas sem que isso signifique uma linguagem mais simplista, pelo contrário. Há um equilíbrio entre a clareza linguística e abordagem, a profundidade como o tema é apresentado. Procura-se esclarecer e sensibilizar. A narrativa harmoniza, de uma forma bela, a descrição e a contemplação, o ritmo e a informação, dando espaço ao leitor para observar e reflectir.
As ilustrações de Verónica Fabregat apresentam uma qualidade visual e estética, o traço bem firme oferece um rigor documental que abraça, carinhosamente, o texto, permitindo que o leitor amplie os significados dos eco-sistemas, rituais, língua, símbolos culturais, trajes, flora e fauna, contribuindo, desta forma, para a imersão do leitor na diversidade cultural. O livro menciona, levemente, ameaças, mas tende a enfatizar mais o lado inspirador. É compreensível, dado o público-alvo, mas poderá dar uma visão incompleta da complexidade e riqueza cultural destes povos. Ainda assim, “A Sabedoria dos Povos Indígenas é um livro de grande valor: sensibiliza, evoca, desperta a curiosidade sobre o valor do conhecimento ancestral e ecológico. Inspira, induz à reflexão e sublinha a ideia de que há múltiplos modos de viver, de estar e de ser, de entender o mundo, dando visibilidade ao invisível.

Josep Maria Mallarach apresenta-se dizendo: “Desde que me lembro, sempre tive admiração pelos indígenas, que descobri através das histórias infantis. Na adolescência, com os escuteiros, mergulhámos no mundo misterioso dos índios dos bosques norte-americanos. Já adulto, a Vida levou-me a conhecer povos indígenas nas estepes árticas, nos desertos e nas montanhas de África, nas pradarias da América do Norte, nos rios e selvas da Amazónia, nas florestas brilhantes da Austrália. Aí, tive o privilégio de conhecer comunidades mais sábias e bondosas do que alguma vez imaginara. Este livro é um testemunho de agradecimento por tudo o que me têm ensinado”.
Verónica Fabregat apresenta-se ao leitor dizendo: “Nasci em Castelló em 1978. Estudei desenho e mais tarde ilustração, para poder dar forma a todas as histórias que me ocorrem e que vou apontando cuidadosamente na última página de um bloquinho que levo sempre comigo. Se há algo que me apaixona tanto como desenhar é viajar e conhecer outras culturas. Quando estou muito cansada de viajar ou de desenhar, aproximo-me da natureza e ato às árvores, às pedras e às ondas esse fio invisível que nos une ao essencial. Então aparecem novas paisagens, por dentro e por fora, que me inspiram para voltar a pegar nos lápis”.
A tradução de Catarina Sacramento é fluida, envolvente e cuidada.











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