É já o 11º título de Yrsa Sigurdardóttir publicado pela Quetzal, por muitos considerada a rainha islandesa do thriller. Um livro que retoma o ambiente gélido de “Lembro-me de Ti”, que apresentava uma mistura perfeita entre uma boa história policial e um arrepiante conto de terror, juntando-lhe um refinado toque de sobrenatural. Um daqueles livros que nos fazem ter medo de andar à noite pela casa, receando dar de caras com algum fantasma que tenha saído do armário para beber um copo de água ou usar a casa-de-banho.
Em “A Presa” (Quetzal, 2025), Yrsa cruza com habilidade uma teia de linhas temporais que, depois de muitos calafrios e ainda mais sobressaltos, se irão unir: a descoberta de artigos escondidos ou enterrados numa casa que mudou de donos, a revelação de uma irmã desconhecida, um salvamento no coração das montanhas geladas ou um telefone que toca apesar de não estar ligado.

Tudo começa quando um álbum de fotografias e um sapato com a inscrição “Salvor” é entregue aos antigos donos de uma moradia, que pouco tempo depois irão descobrir que o nome se refere a uma irmã que ambos desconheciam ter. Uma nota de rodapé que serve de lançamento à narrativa principal: uma equipa de salvamento parte para o gelo em busca de um grupo de pessoas que desapareceu, cabendo a Jóhanna descobrir o primeiro cadáver, não se conseguindo livrar da sensação de que há alguém – ou algo – a segui-los. Outra personagem central é Hjorvar, um tipo solitário e meio estranho que trabalha na estação de radar de Stokksnes, que começa a ouvir interferências e uma voz de criança a saírem de um telefone que toca mas que, aparentemente, está há muito desligado.
Um thriller muito bem urdido, que combina as belas e assombrosas paisagens islandesas com uma esmerada capacidade de incutir o medo, guardando um final capaz de trocar as voltas ao leitor. O sobrenatural é, definitivamente, a praia de sonho de Yrsa.











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