Já tiveram uma daquelas semanas que começou mal e ameaçou terminar ainda pior, em que não viam a hora de entrar de cabeça na apaziguante sexta-feira à tarde? Pois bem, Justino Caçador está a viver uma delas, e não é certo que o fim-de-semana lhe vá trazer algum alívio. Com texto de Eva Amores e ilustrações de Matt Cosgrove, A Pior Semana de Sempre apresenta-nos a Justino Caçador, rapaz com pouca confiança que sofre de bullying escolar e se vê, quase sempre, em situações confrangedoras, quase sempre envolvendo ficar em público reduzido a – com sorte – uma peça de roupa. A tudo isto, soma-se um padrasto que tem tudo para ser vampiro, o embaraço de ter um pai condutor de “uma sanita gigante com rodas” ou o rapto do gato por extra-terrestres.

“A Pior Semana de Sempre: Quinta” (Booksmile, 2025) começa por recordar ao pequeno leitor – a série está recomendada para M/8 – a semana de cão de Justino: “Passou por uma sádica segunda, uma tremendamente terrível terça e uma questionável e queixosa quarta”. Quinta-feira parecia ser um dia prometedor, com uma ida ao programa da manhã mais visto na televisão. O nervosismo de Justino, a juntar a um microfone colocado em sítio indevido, faz com que solte “um pum ouvido por todo o mundo”, elevando a sua reputação a níveis estratosféricos.
A provar que um azar nunca vem só, Justino acaba também por ser raptado, confundido com a estrela de música Justino Caçador que acaba de lançar o seu novo hit “Baque”, com rimas tão incríveis como “A bombear sangue. Geras cheias involuntárias. Nas minhas artérias, veias e capilárias”.
Não faltam rãs e cenas apagadas pela censura, uma menina mimada, um ricaço insuportável e um pai que, acreditando que até a má publicidade não é de deitar fora, muda o nome do seu negócio para Canalizações Pai Cocó.

“A Pior Semana de Sempre: Sexta” (Booksmile, 2025) consegue fazer com que Justino desça ainda mais fundo na sua negra semana. Literalmente. Desta vez, o “miúdo normal (de momento a viver uma vida altamente anormal)” está atolado num buraco e, entre trepar e esperar, acaba por escolher a segunda opção, enfrentando a muita bicharada que por lá mora, seja rastejante ou voadora.
Uma alhada onde, por entre túneis infindáveis e o surgimento de convidados surpresa, iremos penetrar num mundo de conspirações empresariais, crimes ecológicos e no mercado obscuro do capitalismo puro. A fechar, um final servido em homenagem a “Carrie”, esse épico de John Carpenter. Venha de lá esse fim-de-semana!











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