“A História do Não” (Orfeu Negro, 2025) é um álbum bem-humorado, reflexivo, filosófico e perguntador, que percorre a aventura humana através de uma palavra pequena mas poderosa: NÃO. Elena Lévi convida o leitor a reflectir sobre o poder das palavras, e do valor de um simples NÃO.
Desde que o ser humano ousou não obedecer a uma ordem injusta, a palavra Não começou a ser poderosa. Parece que foi assim que os mais jovens começaram a fazer uso desta palavra forte, a aplicando-a sempre que algo lhes parecia errado.

Nem todos os Nãos são iguais. Há uns mais preponderantes que outros. Quando se diz “Não à igualdade” ou “Não à liberdade”, parece que as vidas ficam paralisadas e o sentimento de injustiça cresce. Contudo, quando escutamos “Não à guerra!” ou “Não à escravatura!”, a justiça solfeja nos nossos corações. Afinal, qual o valor desta poderosa palavra?
Um simples “não” poderá ser um gesto de coragem, ousadia, liberdade, cidadania responsável ou o ponto de partida para um longo e interessante diálogo. É o “não” que nos separa da obediência cega, que nos faz escolher, discernir e afirmar quem somos. Dizer “não” é, afinal, dizer “sim” a algo maior: à justiça, à dignidade, à autonomia. Elena Levi não celebra a recusa, o capricho ou a simples desobediência, pelo contrário. Cada “Não” carrega responsabilidade, reflexão e coragem. Esta palavra mínima, tantas vezes reprimida, transforma-se num gesto de emancipação e lucidez, de encorajamento ao pensamento crítico e a uma consciência ética.
Eléna Lévi, escritora e jornalista francesa, tem explorado em várias obras a fronteira entre literatura, filosofia e pedagogia. A sua escrita, delicada e perspicaz, aposta numa educação do olhar, da escuta e do pensamento.

O traço leve, quase infantil, de Serge Bloch, abraça o texto com ironia e ternura, ampliando o discurso. A simplicidade da linha, da mancha de cor ou outros elementos que nos fazem recordar a banda desenhada, traduzem visualmente a força interior do “não”: a recusa que se ergue, o corpo que se endireita, o gesto que rompe o silêncio. Há um diálogo constante entre texto e imagem; o desenho não ilustra apenas o que é dito: comenta, interpreta e acrescenta camadas de sentido.
Este esplendoroso livro rompe com o conformismo e enaltece a autonomia, a desobediência e a construção do indivíduo livre. Nas páginas desta História do Não habitam muitas perguntas, tais como: Como nasce o Não? Para que serve o Não? O Não pode ser irritante? O que significa dizer Não? Há Nãos mais justos que outros? Será mais fácil obedecer do que dizer Não? Algumas vezes, dizer Não é uma forma de dizer “sim”?











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