E eis que, com a edição de “A Esperança Nunca Morre…” (Quarta Parte)” (Asa, 2024) chega ao fim a tragicomédia humanista assinada por Émile Bravo, construída a partir da revisitação ao universo de Spirou e Fantásio.

Uma das grandes duplas da banda desenhada que, ao longo da sua história e depois da criação em 1938 por Rob-Vel, mudou várias vezes de mãos, tendo a sua fase mais feliz acontecido entre 1946 e 1969, isto quando o desenho da dupla esteve a cargo de Franquin.
Neste volume de encerramento, onde Spirou é nomeado por Fantásio como “um perigoso fanático da virtude”, olhamos para as questões éticas em situações-limite, numa altura que precede a entrada dos Aliados em Bruxelas e, mais à frente, a fundação do Estado Judeu, num cenário de pós-guerra que é também um ajuste de contas e um olhar sobre o lado que cada um escolheu durante a Guerra.

Émile Bravo alterna entre o humor e o relato histórico, prestando homenagem a Felix Nussbaum, personagem de peso desta saga, um homem de carne e osso que foi um pintor alemão de origem judaica, com várias obras que ilustram os horrores do Holocausto, do qual foi vítima. O seu último quadro, intitulado “O Triunfo da Morte”, encerra em jeito de alerta este opus de Brávo, que algumas páginas antes nos tinha deixado um alerta: “O animal não está morto. O animal está dentro de nós… Para nos tornarmos realmente humanos, ainda temos muito trabalho pela frente”. Um alerta a não esquecer, sobretudo em tempos onde muitos esconder dentro de sim não um animal mas um jardim zoológico sobrelotado.











Sem Comentários