Entre estreias e aguardados regressos, são muitas as propostas da Penguin Random House para os últimos meses do ano, numa rentrée que promove, entre outros acontecimentos, o regresso à publicação de Ricardo Adolfo, um volume comemorativo dos 75 anos dos Peanuts ou o aguardado lançamento, pela Distrito Manga, de Sailor Moon.
FICÇÃO

Acabado de publicar em Portugal, “Os Substitutos” marca a estreia de Bernardo Carvalho na Companhia das Letras. Mas não é o único. A premiada escritora e jornalista Ana Margarida de Carvalho também se estreia, na mesma editora e ainda em Setembro, com “A Chuva que Lança a Areia do Saara”, um romance de fulgor inédito, repleto de personagens ímpares. Já Daniel Jonas mostra-nos a sua arte na prosa em “A Justa Desproporção”. Aos quatro romances de Clarice Lispector lançados em Janeiro pela Companhia das Letras, somar-se-á, em Outubro, “A Legião Estrangeira”: treze contos e um conjunto de crónicas, ensaios e textos híbridos, num volume que recupera a primeira edição concebida pela autora, antes de ser dividida em dois pelos editores.

Entre os autores nacionais, há importantes regressos ao romance: o de Ricardo Adolfo que, após doze anos de interregno, conduz os leitores numa viagem única pelos subúrbios de Tóquio, à boleia de uma sucursal da máfia yakuza, em “A Chefe dos Maus”, e o de João Tordo, com “Inventário da Solidão”. Na Suma de Letras, Ana Portocarrero publica o seu primeiro e divertido romance, “A (in)felicidade de Sara Lisa”, Alex Couto escreve – no estilo que lhe é habitual – sobre um presidente da câmara que quer vender Lisboa aos ricos em “Os Periquitos Somos Nós”, e Miguel d’Alte publica o policial “Todas as Famílias Felizes”.

Juan Gabriel Vásquez é um dos grandes escritores de língua espanhola da actualidade. A vida da escultora colombiana Feliza Bursztyn, que Gabriel García Márquez afirmou ter morrido «de tristeza», é o ponto de partida para uma fusão de biografia e invenção que resulta no seu novo romance, “Os Nomes de Feliza”. À Alfaguara regressam também, já no próximo mês, Carmen Maria Machado, com o multipremiado “Na Casa dos Sonhos”, um livro de memórias absolutamente revolucionário sobre o seu relacionamento perturbador e asfixiante com uma mulher carismática, e Héctor Abad Faciolince, que em “A Hora da Nossa Morte”, relata a sua própria história após sobreviver a um ataque russo na Ucrânia que vitimou, em seu lugar, a escritora ucraniana Victoria Amélina, com quem Faciolince trocara de assento à mesa momentos antes.

Em Setembro, na Cavalo de Ferro, destaque para “Labirinto à Beira-Mar”, um volume de luminosos ensaios de Zbigniew Herbert, publicados postumamente, e o novo romance de Irene Solà, que virá ao festival FOLIO apresentar “Dei-te Olhos e Viste as Trevas”, inspirado na História, na geografia, nas tradições e no folclore catalão. Outubro traz continuidade à publicação dos romans durs de Georges Simenon com “A Casa dos Krull”, o inédito em Portugal de Péter Nádas, “O Fim de um Romance Familiar”, o romance mais recente de Lázsló Krazsnahorkai, «mestre húngaro do apocalipse» segundo Susan Sontag, e cujos guiões resultaram em várias adaptações cinematográficas por Béla Tarr, e ainda o primeiro romance de Jon Fosse após a atribuição do Prémio Nobel de Literatura, “Vaim”.

Pela Elsinore, saem, para além das reedições de “A Guerra não tem Rosto de Mulher” e “Vozes de Chernobyl: História de um Desastre Nuclear”, de Svetlana Alexievich, “O Colapso”, a mais recente obra de contornos autoficcionais de Édouard Louis, que se debruça sobre a sua relação com o irmão mais velho, morto precocemente aos 38 anos, e, em Novembro, “Atlas de Ilhas Remotas”, uma viagem ilustrada a cinquenta mundos longínquos pela aclamada escritora alemã Judith Schalansky.
NÃO-FICÇÃO

Setembro arranca com uma portentosa investigação jornalística de Miguel Carvalho que revela a face oculta da extrema-direita em Portugal, publicada pela Objectiva. “Por Dentro do Chega” é um retrato do partido com recurso a milhares de páginas de documentos inéditos e largas dezenas de entrevistas exclusivas com fundadores, financiadores, actuais e antigos dirigentes e militantes. Em Outubro, sai “Uma Mão Humana Forrada a Veludo, Homem!”, o novo livro da já histórica rubrica O Homem Que Mordeu o Cão, de Nuno Markl. Nele se reúnem algumas das melhores histórias dos últimos cinco anos, numa edição especial forrada a veludo, com ilustrações do autor em cada capítulo.

O filósofo esloveno Slavoj Žižek, um dos grandes pensadores contemporâneos, usa em “Contra o Progresso” o estilo provocador que lhe é característico para questionar criticamente como podemos libertar-nos dos futuros imaginados por neoliberais, populistas e aceleracionistas e tentar, efectivamente, construir um futuro melhor. Yanis Varoufakis é economista e foi ministro das finanças do governo grego em 2015. Em “Tecnofeudalismo – Ou o Fim do Capitalismo” explora os perigos da concentração do poder nas grandes empresas tecnológicas que escravizam as nossas mentes e redesenham o mapa geopolítico. No livro “25 de Novembro”, e a propósito dos 50 anos desse polémico momento na política nacional, o escritor e repórter Paulo Moura traça a cronologia e a história do dia que deixou Portugal à beira da guerra civil.

“Cicatrizes” é o auto-retrato emocional de Dino D’Santiago que sai pela Arena. Trata-se de um conjunto de textos e ilustrações do autor com reflexões sobre temas tão diversos como liberdade, bem-estar, saúde mental, superação, condição feminina, paternidade, ou mesmo a sua carreira musical, e a relação com Deus.
BD E MANGA

Em Outubro, a Iguana assinala o 75.º aniversário da publicação da primeira tira dos Peanuts com “O Indispensável do Snoopy”, de C.M. Schulz. Uma edição que reúne as melhores tiras diárias e dominicais em mais de 350 páginas. Antes disso, ainda há lugar para a estreia de R.G.B., uma artista visual que reuniu uma série de histórias reais de abusos e assédios a que as mulheres estão sujeitas em “Manda Mensagem Quando Chegares”, a nova novela gráfica da multi-premiada autora sul-coreana Keum Suk Gendry-Kim, “O Meu Amigo Kim Jong-Un”, ou a intemporal história de Lewis Carroll, “Alice no País das Maravilhas”, ilustrada pela surpreendente artista pop de renome mundial Yoyoi Kusama.

Nas edições da Distrito Manga, destacam-se os primeiros volumes do reconhecido The Ghost in the Shell, de Shirow Masamune, inspirado por obras cyberpunk do final dos anos 1980, como Akira, e por filmes como Blade Runner, e popularizado pelo filme de 2017 com Scarlett Johansson no papel principal, e de Sailor Moon – em português, Navegantes da Lua, um anime de grande sucesso em Portugal desde os anos 90 até aos dias de hoje, da autoria de Naoko Takeuchi.
LITERATURA INFANTO-JUVENIL
No segmento infanto-juvenil, a Booksmile continua a destacar-se na publicação de autores nacionais. Nuno Caravela, o autor «1 milhão de livros», traz uma nova e hilariante colecção do universo d’ O Bando das Cavernas, intitulada “O Bando dos Renováveis”. Na não-ficção, os psicólogos Rute Agulhas e Pedro Aires Fernandes apresentam um diário terapêutico para “Adolescentes s(em) Rede”. E a professora Elsa Rodrigues propõe uma iniciação à Filosofia para os mais pequenos. Na colecção de educação sexual Menstruita, chega a vez dos rapazes e das suas mudanças corporais, em especial a primeira ejaculação (“O Teu Corpo de Rapaz É Fixe”). Em Novembro teremos o 20.º volume da coleção bestseller mundial O Diário de um Banana, de Jeff Kinney.
A Fábula publica diversos álbuns e narrativas de autores e ilustradores premiados, com destaque para Sydney Smith (“Lembras-te?”) e David Cirici (“Musgo”). A chancela dá também continuidade à edição das obras de Afonso Cruz para os mais jovens, com “Os Livros que Devoraram o Meu Pai” e “Assim, Sem Ser Assim”.

Pela Nuvem de Letras vamos poder ler a nova história de Capicua para os mais pequenos, “Como é que um Caracol Foge de Casa?”, sobre o problema tão premente da habitação. Isto para além de várias colecções premiadas, obras distintas (“Fronteiras” e “A Inspiradora História de Aristides”) e edições notáveis, incluindo de clássicos, como “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas”.











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