A rotina é tramada, até mesmo para um sapo que, dia após dia, não consegue deixar de pensar que “a vida de pântano já cansa”. No meio de todo este tédio, e mesmo sem ter dado de caras com uma lâmpada mágica com o seu apertado morador, acaba por ver o seu desejo concedido: ir viver no meio dos humanos que, segundo o insatisfeito verdinho, “são estranhos mas tratam-se bem!”.
Em “A Aventura do Sapo: Caos e Coaxos” (A Seita, 2025), uma aventura pelo mundo dos humanos, o sapo irá juntar forças a um cão falante, poder conquistado graças à descoberta de uma mala de viagem que chega com um aviso semelhante aos afixados no País das Maravilhas: “Escolhe Deseja Acontece”. Há também um corvo que assume o papel de mestre-de-cerimónias, mas com quem o sapo embate de frente: “És coach emocional ou estás a recrutar para uma seita?”.

Com tanta poção e amuleto, o sapo descobre a sua veia de empreendedor, e tudo parece estar bem até ao momento em que se começa a ouvir falar de ratos gigantes, que podem ameaçar a cidade e acabar com o stock de… caralhotas, a iguaria de eleição do sapo, que decide reverter os poderes dados por estas guloseimas encontradas ao acaso.
O sentido de humor do sapo é um mimo, neste livro escrito por André F. Morgado que faz piadas seja com Confúcio ou os Nirvana, não se esquecendo de nos atirar com alguns mantras pelo caminho: “Não são os sonhos que perseguimos que mudam o nosso caminho, e sim aqueles que nos encontram sem aviso, e nos dão a felicidade que nem sabíamos precisar”.
Os desenhos de Kachisou, traçados e preenchidos a uma só cor, mostram que não faltam trunfos a esta ilustradora, cuja perícia vai muito para além da inspiração japonesa.











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