“1, 2, 3, Quá!” (Orfeu Negro, 2025) é um pequeno grande livro sobre descoberta e amizade, onde confirmamos o talento de Madalena Moniz para comunicar emoções e relações, através de poucas palavras e imagens carregadas de sentido. Trata-se de um livro delicado e imaginativo, de enorme sofisticação poética e visual.
O livro constrói-se como uma espécie de jogo de esconde-esconde, acompanhado por uma contagem crescente: 1, 2, 3…, até chegar ao inevitável “Quá!”, que explode em cena como momento de revelação e surpresa.

A narrativa é intencionalmente económica, mas indutora de uma interacção: a criança procura, conta, repete em voz alta; o pato esconde-se, há suspense e um reencontro feliz. Ao longo das páginas predominam os tons suaves — amarelos, azuis, cinzentos -, remetendo para a infância e a natureza com uma suavidade emocional. O amarelo do pato funciona como âncora visual, chamando o leitor à procura e também à ternura. Os fundos em branco transmitem a sensação de calma, permitindo ao olhar escolher o seu caminho.
Cada página acrescenta uma pequena variação, que mantém a curiosidade viva. Trata-se de um livro muito cinematográfico, permitindo aos pré-leitores, os muito pequenos, acompanharem facilmente a história, enquanto introduz outras simbologias e diálogos: o outro, a procura, o medo da perda, o gosto da descoberta, a confiança que se constrói na relação.

Este é um livro para ler em família, para dialogar. A leitura em voz alta funcionará particularmente bem, graças ao ritmo repetitivo da contagem e à dimensão lúdica. Um excelente livro para celebrar o olhar infantil, a delicadeza e a alegria, perfeito para mãos pequenas, olhos vigilantes e atentos, corações empáticos e curiosos.











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