“A Expedição Rocambolesca do Professor Mariposa” (Nuvem de Letras, 2025) fala-nos de ciência e da natureza, sem nunca perder o sentido da aventura, do humor e da descoberta. É mais um título da chancela Lilliput, a qual se distingue por fazer do conhecimento uma experiência de descoberta e do livro um lugar onde a curiosidade encontra espaço para crescer.
O ponto de partida é a procura de levana, uma misteriosa borboleta de que todos falam, mas “ninguém lhe põe a vista em cima há… uma eternidade! Alguns investigadores julgam mesmo que ela se extinguiu! Mas o professor Mariposa não acredita nisso”. É precisamente por recusar em aceitar o desconhecido como definitivo que nasce uma expedição tão divertida quanto inesperada. Acompanhado pelo seu fiel pássaro falante, munido de uma rede para apanhar borboletas e de um caderno de esboços, o cientista abandona o conforto do gabinete e parte em busca de uma espécie que talvez ainda exista. Será que o professor encontrará a misteriosa levana, a borboleta enigmática?

A aventura científica é também uma celebração da curiosidade. O professor Mariposa é uma personagem movida pela observação, a persistência e a vontade de descobrir. A sua viagem permite que o jovem leitor acompanhe o processo de investigação, precebendo que conhecer o mundo implica fazer perguntas, procurar pistas, observar atentamente e, sobretudo, não tomar o conhecimento como algo acabado. A procura da borboleta é, conjuntamente, uma reflexão sobre a fragilidade do mundo natural.
Ao acompanhar esta aventura surgem-nos algumas questões: O que perdemos quando uma espécie desaparece? Porque desaparecem algumas espécies? Que responsabilidade temos perante a biodiversidade?

As ilustrações de François Soutif ampliam a narrativa de Vanessa Simon-Catelin, acrescentando pormenores, situações inesperadas e pequenos elementos que convidam a um olhar demorado. Há uma profusão de detalhes que estimula o olhar, transformando cada página num espaço de descoberta. A figura do professor, do seu equipamento, do companheiro de viagem e as situações com que se depara criam uma atmosfera simultaneamente científica e disparatada, em que o rigor da investigação convive com a imaginação. Soutif parece brincar com o próprio imaginário do cientista-aventureiro, construindo visualmente uma personagem cuja curiosidade é tão grande quanto a sua capacidade para se meter em situações rocambolescas. Um livro divertido, bem-humorado e perguntador, para ler, explorar e dar a ler.











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