“O Paco anda pela casa. Quarto, sala, quarto, cozinha. Quer dizer, o Paco corre. Corre a alta velocidade quando o pé esquerdo se zanga com o pé direito e zás! Cai, bate com a cabeça.” O que terá acontecido a Paco depois de cair? Nem vão acreditar! Um insólito acontecimento. Imaginem que lhe nasce um “ovo” na testa. Um ovo na testa? Verdade! Nem o Paco quando se vê ao espelho quer acreditar.
A partir desta anomalia, desenvolve-se uma narrativa construída sobre a imaginação e a antecipação. A dúvida instala-se e alimenta o enredo: será um galo? Uma avestruz? Um ornitorrinco? Uma tartaruga? Ou algo completamente inesperado? Este jogo de hipóteses envolve o leitor, convidando-o a participar activamente na construção de sentido, mantendo o suspense até ao desfecho.

“Um Ovo na Testa” (Upa Editora, 2025) oscila entre o trivial e o imaginário. A partir de uma situação rotineira – uma queda, seguida de um “galo” na cabeça -, o livro transforma o real em ficção, valorizando a capacidade das crianças de reinterpretar o mundo através da extravagância, da imaginação e da fantasia. O texto de Joana Barata distingue-se pela expectativa e surpresa, mas também pelo ritmo e pela forte dimensão performativa, excelente para se ler em voz alta e explorar repetições, pausas e entoações que intensificam o efeito humorístico.
As ilustrações de Henrique Coser Moreira assumem um papel estruturante, aproximando-se, em vários momentos, da linguagem da banda desenhada. A organização sequencial das ilustrações, o uso de enquadramentos dinâmicos ou as expressividades das personagens contribuem para uma leitura visual ritmada, quase cinematográfica. A paleta cromática é constituída por cores vivas, que sublinham as emoções e criam um ambiente hospitaleiro, afável e apelativo. As guardas marcam o ritmo da narrativa, o início e o desfecho, emergindo como extensão da própria narrativa.

Um livro-álbum onde humor, surpresa e ternura se articulam numa narrativa aparentemente simples, mas riquíssima em possibilidades de leitura: o corpo, a imaginação, o medo do desconhecido e o conforto do espaço familiar. Pura diversão, um livro para (re)ler e dar a ler.











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