Já é conhecida a programação de Setembro da ZDB, o mais movimentado aquário musical da cidade de Lisboa (e arredores). Ficam as apresentações.
SEXTA 5 SETEMBRO / 22H00
Sully ← Mix’Elle

Personificação vivida e criativa de diversos pontos de cisão e passagem do UK Hardcore Continuum desenhado por Simon Reynolds, Sully tem baralhado as coordenadas espácio-temporais mapeadas por este último ao longo de anos e postuladas em “Energy Flash” trazendo partículas do jungle, 2-step, grime ou dubstep para fora da sua cronologia. Nesse processo de reordenação contínua, incita a cruzamentos mais ou menos subliminais com o footwork ou o trap, como quem imagina uma cartografia fluída onde memórias do passado são sentidas para o presente e indícios de futuro, sem poiso.

A música sempre fez parte de Michelle Borja aka Mix’Elle. Inspirada por diversos espectros do universo musical, é difícil qualificar o seu som num só estilo. De momento integra vários projectos e, além de ser co-fundadora da Interesting Constellation, colabora com a Angel do Planeta Manas, onde se estreia como produtora com a release Spiritual Rhythms.
QUINTA 11 SETEMBRO / 21H00
Saul Adamczewski apresenta ‘Saul Adamczewski And The Coward’ ← amt ← Lizatron

Com a banda Fat White Family, Saul Adamczewski reanimou mais uma vez o cadáver apodrecido do rock’n’roll: uma banda a cores num mundo a preto e branco, um turbilhão em torno de um centro criativo de Lias Saoudi e Saul Adamczewski. À medida que os FWF avançavam, Saul envolveu-se noutros projectos. The Coward é o seu projecto mais recente e também um álbum com o seu colega dos Insecure Men, Marley Mackey.

amt senta-se ao teclado para tocar e chega-se ao mic para cantar música de um diário biográfico que não se sabe se é ficção.

Coleccionadora ávida de discos, Lizatron está por detrás da editora Invisible Sounds formada em Londres em 2012 e agora sediada em Lisboa. É uma figura de destaque na cena lisboeta, não só como DJ mas também promovendo eventos.
QUARTA 17 SETEMBRO / 21H00
Drew McDowall ← Ndr0n

Lenda absoluta na vanguarda britânica, Drew McDowall (na foto) soma já perto de meio século a sondar novas cartografias sonoras. Enquanto força telúrica na música industrial tocou com os Coil e Psychic TV, agregando toda uma dimensão sónica, plena de visões e alucinações que viriam a traçar inspiração para gerações vindouras. Recorrendo a uma panóplia de instrumentos electrónicos e acústicos, dialoga com as potencialidades de ambas as naturezas, sempre no limiar das fronteiras. Um regresso imperdível e necessário à ZDB.

Ndr0n é um projecto audiovisual concebido por Afonso Proença e um retrato da emoção sintética vivida na vida urbana. Definido por conceitos como transumanismo e singularidade tecnológica, Ndr0n tenta sonificar a personificação de máquinas auto-conscientes.
SEXTA 19 SETEMBRO / 21H00 + SÁBADO 20 SETEMBRO / 20H00
Festival Ano Q na ZDB

Nos dias 19 e 20 de setembro de 2025, a Rádio Quântica apresenta a 5ª edição do seu festival comunitário sem fins lucrativos. O ANO Q 2025 reúne uma selecção diversificada de projectos artísticos que desafiam as fronteiras do mainstream através da sua prática. A programação cultural deste festival representa a resistência directa aos eventos baseados em lucro, procurando oferecer uma alternativa ao mainstream de uma Lisboa cada vez mais gentrificada, onde uma polida padronização cultural imposta de cima ou de fora se tornou a norma.
Ao longo dos dois dias do festival poderemos assistir às actuações de Marlene Ribeiro, Margô, Andrei Bessa, Muleca XIII, Saya, Tiago Sousa, I’A’V, Sambacção, Jenny Larrue, Roda de Sample, Maribel b2b Marcolan e DJ Narciso, bem como visitar a exposição de The Blacker The Berry.
DOMINGO 21 SETEMBRO / 19H00
Alan Licht ← Alek Rein

Vulto de importância superlativa na movida nova-iorquina desde os inícios da década de 90, Alan Licht tem vindo a mapear zonas limítrofes entre o minimalismo, o rock, a improvisação livre ou a sound art. Em todo o seu percurso é particularmente fulcral o seu domínio como guitarrista. Neste seu giro europeu com passagem pelo Aquário da ZDB, Licht traz as visões do monumental Havens, disco duplo com edição da VDSQ em 2024, onde se sente o nervo do rock e a urgência do punk em levitação.

Alek Rein é um projecto a solo do guitarrista e cantautor luso-americano Alexandre Rendeiro, que explora várias vertentes do rock clássico — do psicadelismo de São Francisco ao glam e à folk dos anos 60. Com letras que evocam mitologia e vidas comuns, Alek Rein já atuou em importantes salas e festivais portugueses e abriu para artistas internacionais de renome.
TERÇA 23 SETEMBRO / 21H00
Getdown Services ← O Simples Mente

O duo de Josh Law e Ben Sadler faz música que não parece séria, mas bate logo como pertinente. Os Getdown Services parecem a resposta para uma geração pós-pandemia, durante guerras que lixam a vida de todos os que podem ser lixados, o dinamismo que está ausente das nossas vidas e que chega e sobra saído das músicas deles. Na falta de formalidade, continuam a festa que ficou por fazer dos Sexual Harassment, com a urgência possível de uns Sleaford Mods e humor saído da televisão britânica. Tão absurdos quanto reais, vivemos hoje bons tempos para música como a dos Getdown Services.

A música de O Simples Mente é uma tradução da forma como vê o mundo – “Se eu não escrevo o que penso, depois esqueço-me”. “ATROPELEI-ME”, o seu último EP, é marcado pela mistura de hip-hop consciente com lo-fi e pop num registo espontâneo e emocional, sem seguir fórmulas fixas, refletindo uma libertação criativa do artista.
QUARTA 24 SETEMBRO / 21H00
Hayden Pedigo apresenta I’ll Be Waving As You Drive Away ← P.S. LUCAS

O mui carismático Hayden Pedigo regressa a este palco com o novo “I’ll Be Waving As I Drive Away”, onde volta a explorar as paisagens da América mais profunda com um sentido de visão cada vez mais apurado. Iluminadas por arranjos de sintetizador, violino ou pedal steel, as melodias do novo álbum ascendem a uma espécie de psicadelismo contemplativo, de uma melancolia doce que absorve a imensidão on the road para a recolher em temas de uma fluidez quase casual. Da lazeira boa e da emoção subtil. Mas plena.

P. S. Lucas tem vindo a aperfeiçoar a arte de fazer canções há já algum tempo. A estreia a solo In Between trazia os ecos dos mestres da escrita de canções da era moderna – de Cohen a Callahan, de Drake a Brassens – mas com uma assinatura muito própria. O recém-lançado “Villains & Chieftains” é mais uma revolução silenciosa que continua a mexer com os corações dos seus ouvintes.
SÁBADO 27 SETEMBRO / 22H00
Acopia apresenta Blush Response ← c-mm

Acopia são um trio australiano formado por Kate Durman, Lachlan McGeehan e Morgan Wright. No novo álbum, continuam a olhar para a dream pop como objecto de trabalho principal. Porém, desta vez, olham para o Baggy e para a pop hipnagógica como referências a acrescentar ao seu já largo leque de influências. Estas são canções feitas para sentirmos, chorarmos, dançarmos debaixo do luar de uma noite que parece infinita.

c-mm são um quarteto da periferia Lisboetao. O seu mais recente EP “Dar a Volta” consiste em 12 minutos e meio de música nos quais c-mm dizem o que têm a dizer, sobre os outros e sobretudo sobre si, sendo o único objectivo definido a priori, a entrega de um testemunho fiel à realidade interior de c-mm.











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