
Apesar das caretas e múltiplas vozes terem apanhado o público – ou grande parte dele – desprevenido, Aldous Harding conseguiu mostrar, ao longo do concerto do Vodafone Paredes de Coura, o porquê de reinar no seu nicho musical. Mulher de poucas palavras – “I’m not really chatty, but I’m here, I’m here with it”, disse a certa altura -, provou que é possível construir uma bela paisagem sonora – e dar um bom concerto – com pouca conversa.

Se não conheciam os Friko, então seguramente ficaram encantados. Num dos melhores concertos do dia, a banda de Chicago veio com tudo, entregando-se por completo à música e dançando efusivamente – especialmente David Fuller, o baixista, que por vezes fazia lembrar Charlie Chaplin. O vocalista, claro, roubou todas as atenções. Para além de cantar, Niko Kapetan ainda tocou guitarra e correu até junto do teclado. A sua voz parece não conhecer limites, e o seu corpo esteve entregue à música, ameaçando explodir a qualquer momento, lembrando um pouco Ian Curtis. O concerto acabou com um cover de “Ceremony”, a muito amada canção dos New Order, onde os Friko absolutamente arrasaram, fazendo jus ao original.

Após um hiato de 5 anos, Kurt Vile regressou finalmente à Europa – na companhia dos The Violators -, para um concerto que nos transportou para um cenário digno de um western. O músico apresentou o seu álbum novo, intitulado “Philadelphia’s been good to me”, mas o concerto em si acabou por ser um dos menos marcantes do dia.

O que acontece quando dois irmãos entram em complementa sinergia musical e hipnotizam uma multidão? Ao longo de uma hora, os Hermanos Gutierrez provaram que cantar é sobrestimado, e que se pode controlar o público apenas com instrumentos. Depois do concerto de há 4 anos, a banda transportou-nos até ao deserto e ao som cósmico, falando muito sobre as inspirações das suas músicas – incluindo westerns – e a formação da dupla. Os irmãos realçaram nunca terem tido o objectivo de chegar até aqui, mas que partilhar a sua música e conexão significa muito para eles. O momento mais cómico do concerto deu-se quando pediram ao público para fazer o icónico Siuuuu de Cristiano Ronaldo.

O aperitivo de música electrónica que antecedeu o concerto preparou de imediato o público para o estouro que são os Underworld. Um esquema de luzes de muitas formas e feitios, que acabou por percorrer toda a paleta de cores disponíveis, serviu de fundo à festa oferecida por esta dupla do País de Gales. Desde músicas mais pesadas a clássicos como “Dark and long” – e claro, o derradeiro “Born Slippy (Nuxx)” – Karl Hyde e Rick Smith puseram o público a dançar, com batidas que percorreram o corpo como uma corrente eléctrica. Lager, lager, lager!
Fotos: Hugo Lima











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