“Querida Professora,
Sempre que eu queria contar-te alguma coisa, puxava a tua camisola e sussurrava-te ao ouvido. Desta vez, estou a escrever-te uma carta.”
É da forma mais comovente, afectiva e emotiva que começa o incrível livro “Uma carta para a minha professora” (Fábula, 2025). Uma narrativa epistolar e apaixonante, escrita de forma intimista e muito pessoal. A carta oscila entre o olhar infantil, o que foi vivido no passado e o olhar adulto, que reflecte sobre o que aprendeu e o impacto que terá na sua vida futura e construção do ser.

Entre o presente e o passado, uma aluna escreve à sua professora do segundo ano, que nunca esqueceu, recordando alguns dos inesquecíveis momentos desse ano escolar: as travessuras, a curiosidade, a dificuldade em permanecer quieta, a impulsividade, e como a professora conseguiu albergar, abraçar, envolver, orientar, desafiar a protagonista, a aluna, de modo a transformar a sua energia e impulsividade em algo criativo e significante. Há, também, o reconhecer das falhas: “Nunca consegui enganar-te”. Simultaneamente um reconhecimento, um testemunho e uma ode à gratidão, a carta é escrita de forma empática, bem-humorada e está carregada de afectividade.
Através do seu traço expressivo, com tinta, e/ou aguarela, Nancy Carpenter consegue captar emoções e ritmos, dando vida à linguagem corporal e tornando os ambientes realistas. A paleta de cores é cuidada e surge como instrumento comunicacional – através da cor, o leitor apreende as emoções, as acções da aluna irrequieta e o contraste entre os momentos de traquinice ou caos com aqueles de calma e reflexão. O texto, de Deborah Hopkison, amplia e dialoga com a ilustração, dançando entre o implícito e explicito, surgindo estrategicamente no layout das páginas.

Afinal, o que faz de um professor um bom professor? O que precisamos de um professor para nos ajudar a crescer? Um livro delicioso, caloroso e (e)terno, para ler em silêncio ou em voz alta, sozinho ou a par; para dialogar; para ter por perto.











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