Reza a lenda que “Every Dawn’s A Mountain”, a nova rodela que Tamino compôs após se ter mudado para Nova Iorque, foi influenciado pelo Oud Árabe, instrumento de cordas originário do Médio Oriente, considerado o precursor do alaúde e amplamente utilizado na música árabe, turca e do norte de África. Tamino, aliás, teve como inspiração para a aprendizagem do ofício das cordas o (seu) avô Muharram Fouad, que lançou vários discos e participou em inúmeros filmes desde a década de 60. Um imaginário e herança musical que resultaram numa pop de grande amplitude, perfumada com especiarias várias, muito à boleia de uma voz versátil capaz de percorrer as várias mudanças numa montanha russa cheia de sobressaltos.

No LAV – Lisboa ao Vivo, acompanhado por um quarteto que parecia estar plantado numa floresta de árvores iluminadas, Tamino começou nervoso, com uma primeira nota falhada que fez temer um desvio em relação à segurança do estúdio de gravação. Um receio que acabou desmentido por uma prestação digna de final de Champions.
“Vou fazer algo de diferente esta noite. Não há realmente uma setlist. Por vezes poderá correr mal, mas é mais vivo. Será esta a experiência”. Palavra de Tamino a uma fanzone em delírio, não dispensando largos elogios ao violoncelista na sua primeira tour: “Tiveram sorte em apanhá-lo” – tivemos mesmo.
Os primeiros andamentos fazem-se entre a valsa lenta e uma descida ao purgatório, mas estão longe de corresponder ao desafio de que Tamino anda à procura. “Está a correr bem até agora. Mas são canções que já tocámos. Vamos experimentar algo novo. Vou fazer umas cenas a solo”, que é como quem diz bazem.

Com o perfume das Arábias, entre cordas não amplificadas e a vertigem eléctrica, segue-se uma viagem a solo com os pés bem assentes na areia vermelha do deserto. “Com esta nova aproximação tenho de falar mais. É o meu dote”, avança Tamino antes de um longo momento de silêncio. “Mas acho que pode esperar por mais logo”.
A banda regressa e, por esta altura, Tamino está já na zona, com “My Dearest Friend and Enemy” a servir de arranque para um grande concerto. “Diria que a experiência foi um sucesso graças a vocês”, partilha mais à frente, fechando com um encore a três tempos onde cabem “Habibi”, “Babylon” e “Smile”. Esqueçam as comparações com Buckley, Tamino descobriu a sua própria Grace.

Setlist
Every Dawn’s a Mountain
Raven
Sanpaku
Willow
The Flame
So It Goes
Play Video
A Drop of Blood
My Dearest Friend and Enemy
Tummy
Sanctuary
Elegy
w.o.t.h.
Indigo Night
Encore
Habibi
Babylon
Smile
Fotos: Gonçalo Silva / Last Tour
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Promotora: Last Tour Portugal











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