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Piano Pop, Jazz Contemporâneo e a Alma Mater de Rodrigo Leão no Misty Fest

Por Deus Me Livro · Em 07/05/2026

Desde que fizemos por aqui o último exercício de contabilidade, o Misty Fest anunciou um dia dedicado ao Piano Pop, uma secção dedicada às linguagens mais inovadoras e versáteis do jazz e uma celebração tripla de “Alma Mater”, o aclamado álbum de Rodrigo Leão. Vamos a contas.

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Dia 22 de Novembro, o Misty Fest apresenta, no São Luiz Teatro Municipal, um dia dedicado ao Piano Pop, uma abordagem emergente que coloca o piano no centro de uma linguagem próxima da canção pop, cruzando sensibilidade melódica, texturas contemporâneas e uma forte dimensão emocional. Neste encontro, dois artistas dão forma a esse território a partir de universos distintos. Josh Cohen transforma temas icónicos dos Radiohead e composições próprias numa experiência de piano jazz intensa e improvisada, explorando a fronteira entre o familiar e o inesperado. LEVI.SCT leva ao palco a energia e inovação do seu virtuosismo clássico cruzado com electrónica e ritmos urbanos.

Compositor, pianista e mestre da improvisação, o australiano Josh Cohen é conhecido por um estilo único que combina jazz, música clássica contemporânea e influências de música electrónica. As suas fulgurantes interpretações ao vivo rapidamente ganharam notoriedade junto de crítica e público em diversos festivais.

As atmosferas ricas e intensas que conjura ao vivo já somam mais de 20 milhões de visualizações no YouTube e valeram-lhe a bênção dos lendários Radiohead para o lançamento de dois songbooks com versões das suas canções — base do espectáculo que agora apresenta: Radiohead For Solo Piano II (o único espetáculo de covers autorizado pela banda).

Audacioso na abordagem à música e inovador na forma como transita entre géneros, Cohen apresenta ao vivo o repertório dos Radiohead num concerto único em Lisboa, no Misty Fest, elevando estes temas icónicos a um nível completamente novo.

Levi Schechtmann é um pianista alemão que desafia géneros e está a redefinir a experiência do concerto clássico. Actuando sob o nome artístico LEVI.SCT, está na linha da frente de uma nova vaga de artistas que tornam a música clássica relevante e eletrizante, ao fundir a profundidade emocional de compositores como Bach, Liszt ou Chopin com a energia crua do hip-hop e da house.

Com mais de 1.700.000 seguidores no Instagram, a ascensão de LEVI.SCT tem sido verdadeiramente fenomenal, culminando na distinção de Pianista Contemporâneo do Ano nos Pianote Awards, em 2025, e em rasgados elogios da crítica. Os seus concertos, tal como o seu conteúdo online, combinam virtuosismo, ritmo e emoção numa experiência cinematográfica e imersiva.

O jovem prodígio apresenta-se no Misty Fest e em Portugal com o segundo álbum na bagagem. “Classified Fusion” propõe uma viagem ousada e virtuosa onde o repertório clássico se funde com pulsações electrónicas, mas também com elementos de jazz, house e salsa. Uma rebelião criativa para os amantes de música ecléctica.

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A 17ª edição do Misty Fest vai apresentar a secção Contemporary Jazz Nights, dedicada às linguagens mais inovadoras e versáteis do jazz, na actualidade. Distribuído por quatro das mais prestigiadas salas nacionais — Mouco, Casa da Música, São Luiz Teatro Municipal e Centro Cultural de Belém — este programa reforça o compromisso do festival com a diversidade estética e a descoberta de novos territórios musicais, contando com concertos de Laura Misch, Svaneborg Kardyb, Vega Trails, Mammal Hands e Anne Paceo.

16 OUT | MOUCO | PORTO: LAURA MISCH

18 NOV | CASA DA MÚSICA | PORTO: SVANEBORG KARDYB + VEGA TRAILS

19 NOV | SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL | LISBOA: SVANEBORG KARDYB + VEGA TRAILS

29 NOV | CCB | LISBOA: LAURA MISCH + MAMMAL HANDS + ANNE PACEO
 
30 NOV | CASA DA MÚSICA | PORTO: MAMMAL HANDS + ANNE PACEO

Laura Misch é uma saxofonista, cantora e artista multidisciplinar que entrelaça as suas três vozes principais — saxofone, canto e síntese — numa música inovadora e difícil de catalogar. Expandindo a sua paleta electro-acústica e inspirando-se numa linhagem de mulheres pioneiras da música electrónica, tem desenvolvido espetáculos centrados nos sons da natureza que convidam a uma escuta profunda e à contemplação. Misch tem tocado em grandes salas europeias, como o Barbican, o Royal Albert Hall e o Roundhouse (Londres), o Melkweg e o Paradiso (Amesterdão) ou o Berghain Kantine (Berlim); e ainda em festivais de renome, como o SXSW (EUA) e o Montreux Jazz Festival (Suíça). Agora apresenta-se finalmente em Portugal, para um one-woman show que tão cedo ninguém esquecerá.

O duo dinamarquês Svaneborg Kardyb, formado por Nikolaj Svaneborg (teclas) e Jonas Kardyb (bateria e percussão), cria composições intrincadas e cíclicas que conjugam uma intimidade calorosa com um subtil sentido de movimento. Um minimalismo jazzístico que oscila entre contemplação e impulso, onde as suaves camadas de Wurlitzer e a percussão precisa ondulam como ecos na superfície de águas calmas.

Vencedores de dois Danish Music Awards Jazz 2019 (Artista Revelação do Ano e Compositor do Ano), os Svaneborg Kardyb continuam a aperfeiçoar o seu universo sonoro, frase a frase, groove pulsante a groove pulsante — levando o seu som em constante evolução a públicos de todo o mundo.

O seu mais recente trabalho, “Superkilen”, que agora apresentam no Misty Fest, expande o seu vocabulário sonoro, mantendo-se fiel ao magnetismo suave das suas raízes. É um álbum de contrastes — simultaneamente luminoso e nostálgico, voltado para fora mas profundamente pessoal. Tal como a luz em mutação das estações nórdicas, habita um espaço intermédio: entre passado e futuro, memória e descoberta.

Vega Trails é o expansivo e cinematográfico projeto de chamber jazz do contrabaixista e compositor Milo Fitzpatrick, membro fundador dos Portico Quartet, que conta com o saxofonista Jordan Smart (Mammal Hands, Sunda Arc).

Depois de lançar, em 2022, o belo e expressivo álbum de estreia “Tremors in the Static”, em formato de duo, Milo expande agora significativamente essa base sonora com o sucessor, “Sierra Tracks”, que, como o título sugere, foi inspirado na paisagem das encostas da Serra de Guadarrama, a noroeste de Madrid, onde atualmente reside.

Nas palavras do artista, a música de “Sierra Tracks” “explora a relação entre a complexidade dos processos mentais e a forma como o movimento no mundo real, (especialmente na natureza) pode trazer clareza e definição.” Um remédio para a mente, o corpo e o espírito a descobrir no Misty Fest.

Formados em Norwich, em 2012, os Mammal Hands rapidamente conquistaram a admiração de pares ilustres, como Bonobo, Tom Ravenscroft, Jamie Cullum e Gilles Peterson, pela sua abordagem inventiva. Ao longo de cinco álbuns aclamados pela crítica, com a Gondwana Records, construíram uma base de fãs internacional e fiel, bem como uma sólida reputação junto da crítica pelas intensas e hipnóticas atuações ao vivo.

Com influências de jazz, clássica contemporânea, eletrónica, folk e minimalismo, Jordan Smart (saxofone), Nick Smart (piano) e o ex-GoGo Penguin Rob Turner (bateria) criam música cinematográfica, profundamente humana e emocionalmente ressonante, que cativa tanto em estúdio como em palco. No Misty Fest apresentam “Circadia”, o sexto álbum de originais, que marca um novo capítulo (mais rítmico e arrojado) na trajetória da banda.

Figura maior da cena musical actual e porta-estandarte do novo movimento de jazz crossover, a baterista e compositora francesa Anne Paceo tem sido largamente elogiada, quer pela sua técnica, quer pela sua visão musical imbuída de transe e espiritualidade.

A sua entrada na Ordem das Artes e Letras, em 2021, os prémios que recebeu — incluindo 3 Victoires du Jazz (Victoires de la Musique) —, as suas inúmeras colaborações e uma discografia rica (8 álbuns e 4 EPs) testemunham um percurso artístico singular.

No Misty Fest apresenta “Atlantis”, o 8º álbum de originais, inspirado no oceano e em todas as dimensões do elemento aquático. Em palco faz-se acompanhar por: Maya Cros (teclados), Lilian Mille (trompete), Gauthier Toux (piano), Christophe Panzani (saxofone) e Cynthia Abraham (voz).

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Rodrigo Leão regressa ao Misty Fest para três concertos especiais. Nos dias 23 e 24 de Novembro, na Casa da Música, e a 18 de Dezembro, no Coliseu dos Recreios, celebrará os 26 anos de “Alma Mater”, o aclamado álbum que redefiniu a sua carreira, acompanhado por um ensemble de excelência, um coro e convidados especiais.

Editado em 2000 pela Sony Music, “Alma Mater” afirmou-se como um momento de transição na carreira do compositor. Foi neste trabalho que surgiram, de forma mais evidente, as primeiras composições estruturadas como canções, assinalando uma renovação do seu universo sonoro. Essa transformação refletiu-se também na formação ao vivo, que passou a integrar bateria, baixo e guitarra.

Com temas cantados em português, castelhano e latim, o álbum foi gravado no Regiestúdio com a participação de alguns dos melhores músicos do país. Produzido por Rodrigo Leão (que vivia uma das fases mais marcantes da sua vida pessoal devido ao nascimento do primeiro filho), Pedro Oliveira e Tiago Lopes, o disco destacou-se pela sua sofisticação, emotividade e dimensão cinematográfica.

Em “Alma Mater”, Rodrigo Leão conseguiu a proeza de insuflar na sua música alguma da dimensão pop que já tinha explorado no passado, alcançando naturalmente o sucesso. Para tal, contribuíram canções como “A Casa”, com voz de Adriana Calcanhotto, ou “Pasión”, interpretada por Lula Pena. Neste álbum, o compositor provou que não teme explorar novos caminhos e que a sua música possui múltiplas facetas, capazes de ilustrar diferentes estados de alma.

Recebido com entusiasmo pelo público e pela crítica, Alma Mater tornou-se um dos trabalhos mais celebrados da década em Portugal. Foi distinguido como “Disco do Ano” nos prémios DN+ 2000 e incluído entre os melhores álbuns do ano pela Blitz, publicação que viria também a reconhecer Rodrigo Leão como Artista do Ano.

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Promotora: Uguru

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