Já é conhecida a programação musical de Outubro do aquário de Lisboa que oferece a melhor banda sonora. Ficam as devidas apresentações do que poderá ver e ouvir, no próximo mês, na ZDB.
QUARTA 8 OUTUBRO / 21H
Sílvio Rosado apresenta Há Espaço Para Todos
O músico e performer Sílvio Rosado apresenta o seu mais recente trabalho discográfico, “Há Espaço Para Todos”. Com produção partilhada entre Sílvio Rosado e Tiago Pereira, o disco é marcado por colaborações e pela procura de uma identidade musical enraizada na tradição portuguesa e aberta às sonoridades globais contemporâneas. O lançamento não se restringe ao formato concerto. É concebido como performance/happening, para ser uma experiência artística total, integrando música, poesia, dança e pintura.
SÁBADO 11 OUTUBRO / 22H
The Twist Connection ← The Middle People
Os The Twist Connection estão de volta e trazem consigo um disco que é uma celebração do rock’n’roll em estado puro: “Concentrate, Give it up, It’s too late”. A percepção de que o tempo não espera por ninguém é uma das forças que impulsiona este novo trabalho, onde a vida – com o seu desespero, amor, perdas e constantes roubos – volta a ser o grande tema.
O som dos The Middle People é o agradável som do abismo em auscultadores bluetooth assombrados. Graças às suas abordagens multidisciplinares, são pioneiros em áreas performativas onde a visualidade, o som, a poesia e a voz se cruzam numa dinâmica criativa idiossincrática.
QUINTA 16 OUTUBRO / 21:30
ganavya apresenta Nilam @ B.Leza
ganavya tem uma voz que ocupa o mundo, porque faz parte dele, quer ser parte dele. Quer que façamos parte dele. Nilam, o seu mais recente álbum, é esse testemunho, um álbum onde prossegue com a candura de um jazz que segue a tradição de Alice Coltrane, que se completa com uma voz sagrada, que não parece deste mundo pela forma como nos faz estar em cada palavra, em cada som que essa palavra transmite e como o faz e o que comunica. Há algo de além-mundo nisto tudo. O sagrado e o cosmos unem-se para que exista algum sentido para a forma como ganavya canta e toca, como se o tempo se pudesse mover noutro tempo. Pode, agora sabemos, na música de ganavya.
SEXTA 17 OUTUBRO / 22H
Raphael Rogiński plays John Coltrane ← Cali
“Plays John Coltrane and Langston Hughes” calcou em definitivo a figura de Raphael Rogiński no solo guitarrístico contemporâneo. Sem tomar o título como mera reinterpretação em modo standard do legado infinito de Coltrane e da poesia jazz de Hughes, Rogiński reimagina a eternidade de ‘Blue Train’, ‘Seraphic Lights’ ou ‘Equinox’ pelo espírito. Dessa ligação bem ténue ao repertório no seu sentido mais formal, surge uma música despojada de artifícios e assombrada pelo jazz, pelos blues ou pela folk de vários pontos cardeais.
Cali (Ana Carolina Rodrigues) é uma violoncelista bracarense com formação erudita. Inspirada por músicas do mundo e pelo experimentalismo minimalista, procura um universo sonoro íntimo onde a improvisação se entrelaça com estruturas subtis.
QUARTA 22 OUTUBRO / 21H
Mark William Lewis ← Ashley Plomer
Há algo de perverso em criar paisagens sonoras que lembram imensas coisas, seja do passado, ou do presente da pop, do indie ou do ambient, e que mesmo assim soe a novo. Essa tem sido a existência de Mark William Lewis. Para canções que se fecham sobre um manto tão nublado, é fascinante como Mark William Lewis consegue criar um diálogo tão aberto com o ouvinte. Ajuda ter a desenvoltura do soft jazz, a sofisticação de uns Steely Dan DIY ou o romance perdido de um Lewis Baloue.
Ashley Plomer é um cantor, compositor, produtor e intérprete do Reino Unido. Escrevendo sobre o tecido quotidiano da sua vida, as suas canções inspiram-se no emo, no metal progressivo, na paisagem sonora e nas longas óperas televisivas de Robert Ashley.
QUINTA 23 OUTUBRO / 21H
ZDB e Super Bock apresentam Super Ballet, com SPIRIT OF THE BEEHIVE ← SAD
Nas suas canções que têm tanto de sinistras como de orelhudas, Zack Schwartz, Rivka Ravede e Corey Wichlin propõem que a pop pode (e deve) ser esquisita, cantam que a vida tem tanto de fascinante e esquisito como de maldita. O indie-pop-shoegaze-neo-psicadélico dos SPIRIT OF THE BEEHIVE são as canções que tanto podiam vir do passado para nos assombrar como do futuro para nos abençoar.
SAD é o novo projecto de Francisco Couto, nome inescapável da música alternativa portuguesa nos últimos anos, tanto pelo projecto a solo HIFA ou como baixista em bbb hairdryer, nëss ou na composição do trio live de Maria Reis. Agora, em jeito catártico, explora a ligação entre a linguagem electrónica que constrói desde 2018 e o baixo distorcido.
SEXTA 24 OUTUBRO / 22H
Chuck Strangers ← Farrusco
Entre o brilho incandescente de Joey Bada$$ e a paciência divina de Ka, Chuck Strangers, produtor e rapper nova-iorquino, foi-se agigantando lentamente na sombra. Foi em 2018, com “Consumers Park”, que se percebeu bem o que representava enquanto parte de um renascimento que evocava a era de ouro de Nova Iorque, um certo revivalismo boom bap que não envergonhava o passado e ainda injectava uma nova energia. No álbum lançado em 2024, “A Forsaken Lover’s Plea”, encontrou a sua melhor forma.
Farrusco não é só um rapper que carrega Odivelas ao peito. A forma como narra a rua como quem a conhece por dentro, é única. Com o seu próximo álbum “Virar Jogo ao virar da esquina”, chega-nos a promessa de que existe mais por falar, e ainda mais por escutar.
SÁBADO 25 OUTUBRO / 22H
aya apresenta hexed! ← Serpente
Consciente de que tempos intensos demandam arte intensa, Aya Sinclair é uma das artistas do momento nessa frente de batalha. Usa a visceralidade do ruído que contamina e das palavras que cospem vivências desafiantes num limbo entre a realidade, paranoia e sonho. Arranca-nos o tapete da zona de conforto debaixo dos pés para atravessarmos espaços imaginários de xamanismo futurista, eletrónica selvática e outros estranhos mundos dissociativos. O seu mais recente álbum, “hexed!”, afirmou-se como um dos documentos sonoros mais entusiasmantes do ano.
Entidade de Bruno Silva, a visão de Serpente sublima a batida e a percussão nas suas dimensões rítmicas, texturais e tímbricas, recolhendo e reorganizando continuamente partículas da dança, do dub, do jungle ou do free jazz.
SEXTA 31 OUTUBRO / 22H
DJ Haram apresenta Beside Myself ← Chikki Chikki
DJ Haram é uma energia estelar na música de dança perpendicular dos nossos dias. Sem concessões, a manipulação física e o processamento digital de ritmos tão díspares como ecos de hip hop, footwork ou a hipnose da percussão ancestral de outros tempos abrem portais improváveis. “Beside Myself” chega-nos agora às mãos como documento esfíngico, pujante e essencial.
A artista multidisciplinar Chikki Chikki traz-nos uma presença mágica com a promessa do seu novo EP de beats “”Chikkicore, onde mistura sonoridades de metalcore com drum’n’bosse, frenchcore, entre outros.
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