Já é conhecida a programação musical de Novembro do aquário de Lisboa que oferece a melhor banda sonora. Ficam as devidas apresentações do que poderá ver e ouvir, no próximo mês, na ZDB.
SÁBADO 1 NOVEMBRO / 22H
E L U C I D ← Real Guns
Mais conhecido por ser parte da dupla Armand Hammer, o rapper e produtor E L U C I D desbloqueou barulhentas visões do mundo que o rodeia em “REVELATOR” (2024) – o seu mais recente disco a solo, onde junta a sua acutilante caneta observacional a uma incessante procura de dinâmicas entre o industrial, o noise, o free jazz, o pós-punk e o rap. Relembra-nos da nossa humanidade quando tudo à volta nos tenta desumanizar.
Real Guns é um rapper português nascido em São Tomé em 1988. É conhecido pelo seu estilo distinto de música rap cantada em crioulo, com letras que refletem a sua realidade e experiências vividas.
QUARTA 5 NOVEMBRO / 21:30
Smerz apresentam Big City Life ← Girls 96
— ZDB no B.Leza
Em Big City Life, as Smerz (foto de destaque) – duo de Catharina Stoltenberg e Henriette Motzfeldt – continuam o seu trabalho exploratório do que é possível, ou não, ser pop electrónica, misteriosa, dançável, alimentada por sintetizadores. Canções nocturnas, esotéricas, misteriosas, tanto capazes de iluminar um club no momento certo, como de fazerem chorar no instante errado.
Girls 96 são Paloma Moniz e Ricardo Gonçalves, duo de dance-punk e electroclash, construído sobre o contraste de uma enérgica e pulsante electrónica com narrações confessionais entre a indiferença e a obsessão.
SEXTA 7 NOVEMBRO / 22H
Beautify Junkyards ← April Marmara
A ideia de “mundo invisível” (plasmada no título do terceiro álbum dos Beautify Junkyards e presente nos que lhe sucederam) traduz na perfeição a música dos Beautify Junkyards. Uma banda-sonora em formato pop, onde psicadelismo tropical, library music, a electrónica e sensibilidade dos Broadcast e um voraz apetite pelo mundo estranho – o da nostalgia, dos fantasmas, da hauntology, do oculto – combinam com a intenção de não caber numa formatação, ou seja, em algo que se possa ver.
April Marmara é o alter-ego musical de Beatriz Diniz, uma cantora e compositora de Lisboa. A cidade é parte essencial da sua música. Música essa que carrega uma quietude e, ao mesmo tempo, uma calma instabilidade. Prepara-se para lançar o seu segundo LP, “Still Life”.
SEXTA 14 NOVEMBRO / 22H
Kathryn Mohr ← Body of Will
“Waiting Room”, o álbum de estreia de Kathryn Mohr, carta consigo a condição liminal patente no seu título, não tanto como um estado transitório mas sim como espaço de reflexão interior. Disco descarnado, baliza a instrumentação a um reduto essencial de guitarra, gravações de campo e teclados esparsos como amparo para a voz de Mohr, em canções suspensas numa neblina lo-fi em jogo de sombra e assombração.
Body of Will é um duo de darkwave dub baseado em Lisboa, composto por Moss Kissing, na voz, e Kara Konchar, na electrónica. Linhas de baixo estóicas, ecos fantasmagóricos e sintetizadores calorosos dão o corpo à música enquanto a voz de Moss lhe traz uma alma frágil, fatal e devota.
QUARTA 19 NOVEMBRO / 21H
Cortex ← José Lencastre, Hernâni Faustino e João Sousa
Parte bem activa da inesgotável fonte de vitalidade jazzística que emana do solo Escandinavo, este quarteto Norueguês leva já quase duas décadas de contínua afirmação positiva da sua “Avant Garde Party Music”. Formados por Thomas Johansson no trompete, Kristoffer Berre Alberts no saxofone, Ola Høyer no contrabaixo e Dag Erik Knedal Andersen na bateria, os Cortex abrem-se a improvisações fogosas, explorando um novelo melódico e rítmico aparentemente infinito.
José Lencastre, Hernâni Faustino e João Sousa reúnem-se num trio que mergulha profundamente na arte da improvisação livre. Três nomes fundamentais da cena jazzística e experimental portuguesa, exploram em conjunto os limites do som, do silêncio e da interação musical.
SEXTA 21 NOVEMBRO / 22H
Rita Cortezão apresenta tudo, um pouco ← A Sul
Rita Cortezão encontrou na canção uma forma de tentar lidar com os sufocos da vida de jovem lisboeta. As suas cantigas encontram-se preenchidas por sons analógicos com tanto de caseiro como de estúdio profissional. Dia 21 apresenta na ZDB tudo um pouco – o seu primeiro álbum, lançado pelos Discos Submarinos e com produção assinada a quatro mãos com Benjamin.
Compositora e produtora das suas próprias canções, A Sul procura transformar som em imagem, conferindo à sua música um forte carácter visual e cinematográfico. Prepara-se para lançar o seu primeiro álbum de longa duração, “QUER QUER QUER”.
QUINTA 27 NOVEMBRO / 21H
james K apresenta Friend ← Villa, Redhead
Subversiva no que respeita a expectativas, James Krasner faz da pop um novo lugar de constante surpresa e experimentação vívida. Prepara-se para editar um próximo álbum onde volta a baralhar para fascinar. Fala-se em evocação trip-hop ou alusões ao drum n bass, sabendo que nada disto será escutado como imediatamente soa. Friend poderia ser só um mais um regresso, mas promete bem mais que isso.
Villa, Redhead é o projecto a solo do artista, produtor e numerólogo português João Maciel. A sua música atravessa diferentes matizes de rock, música ambiente e pop hipnagógica, mantendo sempre uma forte sensibilidade melódica.
SEXTA 28 NOVEMBRO / 22H
Chuck Roth ← Mi Abras
watergh0st songs e Chuck Roth são um dos acontecimentos de 2025. Quando se ouve a ideia de música gutural há uma associação ao noise, a que é livre e furiosa também surge lado-a-lado do ruído, Chuck Roth dá algo diferente, mantendo as origens dessas associações. Voz e guitarra fluem em paralelo, as letras escondem pequenas narrativas que se ouvem como contos.
Mi Abras é um músico e Poeta lisbonense nascido nos anos 90. Engendrado na multi-polarização da CENA da capital, aberto a um grande leque de repertórios, da pop ao noise, através dos quais aprimorou técnicas de manipulação tecno-líricas.
SÁBADO 29 NOVEMBRO / 22H
Lael Neale apresenta ‘Altogether Stranger’ ← alga
Lael Neale tem vindo a traçar um percurso que é tudo menos óbvio. Imprevisível, a norte-americana está a tentar compreender o seu ritmo, existir naquele coágulo de sensibilidade entre os Velvet Underground e os Spacemen 3, ou entre o psicadelismo de outra vida de Los Angeles e as abordagens rock mais experimentais do britpop. “Altogether Stranger” confronta o álbum anterior: o reencontro, o choque, com Los Angeles é transmitido com o tom abrasivo, desconfortável e verdadeiro que merece.
Com vozes espectrais e loop, alga cria um campo sonoro assombrado por espíritos, paciente e contemplativo, pejado de memórias e alusões nebulosas.
Toda a informação em zedosbois.org











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