Já é conhecida a programação de Abril da ZDB, o aquário mais musical de Lisboa, a que não faltam concertos fora de portas. Ficam as apresentações, com destaque para a noite em que os Caroline vão ao B.Leza apresentar o entusiasmante “Caroline 2”. Depois não digam que não avisámos.
SEXTA 3 ABRIL / 21H
ZDB apresenta: caroline ← Adriana João @ B.Leza
Pela mão da ZDB, os caroline trazem ao B.Leza “caroline 2”, álbum que carrega algumas das melhores canções que ouviremos durante muito tempo. Desafiam o que pensamos de pós-rock, criam harmonia no caos, fazem a luz surgir nos momentos menos óbvios. Impossível não acreditar que em 2026 só estarão ainda melhores do que quando se apresentaram em 2022 na ZDB. Só podem.
Entre a imagem em movimento, o som, a performance, a escultura, a fotografia e a instalação, o trabalho de Adriana João emerge de subtis coincidências presentes no perpétuo vínculo imaterial entre tudo o que existe, que pairam por entre perfeitos e imperfeitos ciclos entrelaçados, e padrões que derivam das tangentes comuns.
DOMINGO 5 ABRIL / 19H
VIBORA ← Foscø ← Hetta
VIBORA, do País Basco, apresentará o seu novo LP, “Egin ez dugun Guztia” (“Tudo o que não fizemos”) e, com ele, som intenso, visceral e carregado de emoção.
Foscø, de Elx, encontrou o seu som único na mistura do post-rock com o hardcore punk, rock progressivo e pop. Em digressão pela Europa, trazem-nos o seu novo LP, “TRES ESTACAS”.
Hetta, do Montijo, opera no espaço tenso entre o caos e o controlo, a urgência e a melodia, na intersecção entre o post-hardcore, o sasscore, o hardcore, o screamo e o rock com influências noise.
SEXTA 10 ABRIL / 22H
Bill Orcutt ← Camilo Ángeles
Descartando a electricidade que marcou o início do seu percurso nos anos 90 para atacar as quatro cordas de uma velinha Kay acústica nas suas deambulações solitárias, Bill Orcutt tem vindo a dilatar a sua expressão com o regresso à guitarra eléctrica, colaborações incendiárias e um punhado de discos que dão vida ao minimalismo da escola Steve Reich/Philip Glass. O álbum homónimo de 2017 manifesta novamente a sua obsessão e questionamento do repertório popular americano através de uma leitura com tanto de lírico como de frémito. Apaixonada. Marca de um ofício que é agora continuado com “Another Perfect Day”.
O flautista Camilo Ángeles cria uma visão estética própria através de uma abordagem desconstruída do seu próprio instrumento e linguagem musical. Através da re-exploração sonora da flauta, Ángeles busca uma abordagem não tradicional moldada pela sua própria história como ser humano, como imigrante e como artista latino-americano.
SÁBADO 11 ABRIL / 22H
Waahsabi x ZDB: New Candys ← Lesm
Ao quinto álbum, os New Candys voltam a provar que são uma das mais consistentes bandas de rock da Europa. Em “The Uncanny Extravaganza”, Fernando Nuti, Dario Lucchesi, Emanuele Zanardo e Francesco Giacomin, inserem tons que lembram o pós-punk britânico da década de 70 e o krautrock germânico do mesmo período na sua veia habitual de psicadelismo. Se revelam algo no seu novo disco, é a sua capacidade metronómica de fazerem música de dança à sua maneira sem deixarem para trás o seu ethos.
As Lesma são um power-trio sintro-margem sulense, que funde o espírito riot girl com diferentes géneros musicais. Leonor (guitarra, voz), Beatriz (bateria, voz) e Rita (baixo) fazem barulho para as pessoas dançarem, cantarem e partirem tudo até mais não.
SEXTA 17 ABRIL / 22H
Super Ballet: By Storm apresentam ‘My Ghosts Go Ghost’ ← devlloz
Quando Stepa J. Groggs partiu em 2020, RiTchie e Parker Corey tornaram-se garantes de continuidade do trabalho que começaram os três com Injury Reserve, sob o nome de By Storm. De exploradores dos limites da canção rap, passaram a verdadeiros investigadores sonoros em causa própria. Aventureiros desde a primeira aparição, a capacidade de expor emoção de uma maneira tão crua e honesta continua a ser uma das suas grandes armas. “My Ghosts Go Ghost”, o álbum de estreia a dois, conta apenas com uma participação (Billy Woods) e marca o início de mais uma jornada do lado de cá de um dos duos que melhor tem sabido adicionar credibilidade ao vasto léxico que possuem do (spazz) rap não-comercial e vanguardista.
O cantor e performer devlloz molda e distorce o tecido do tempo, criando rap gótico e rock alternativo a partir de laços de sangue tecidos em catedrais sonoras. A sua música é simultaneamente catártica e destilativa, crua e melodiosa.
SÁBADO 18 ABRIL / 22H
RP Boo ← Vampiro
Tantas vezes citado como pioneiro da subcultura incandescente do footwork, Kavain Wayne Space deu o corpo à dança, mas encontrou-se plenamente na magia da mistura e na arte da produção sonora. Encontrou no alter ego RP Boo um canal aberto para a militância, sim, mas também para a exploração. Álbuns como “Legacy” ou “Established!” reúnem temas-bala numa celebração pura de ritmo, repetição e delírio. Na última passagem por cá, algures em 2022, deixou clara a estamina que reina nas suas actuações. Sem pruridos nem enganos, é uma força maior do nosso tempo.
De Lisboa e do Coletivo Lenha, os sets do Vampiro são como reviver uma house party em Baltimore em 2005, do ponto de vista de quem nunca esteve em Baltimore mas viu The Wire.
TERÇA 21 ABRIL / 21H
Eliana Glass ← Pedro Branco
Cantigas dolorosas, esperançosas, sobre crescer, viver, morrer. Na voz de Eliana Glass – artista australiana radicada em Nova Iorque – cabe uma vida de dores inteira, cabe a alegria de viver ao lado da nossa família e amigos. Estes são os sentimentos que povoam “E”, portento álbum de estreia, onde um chamber jazz meio que moribundo ecoa grandes vozes do passado como Nina Simone, Julee Cruise ou Annette Peacock.
Pedro Branco é um guitarrista que se mexe tanto na área da música improvisada como na área da canção autoral. Apresentará material novo quase na totalidade para ver como se comporta no mundo real.
QUINTA 23 ABRIL / 21H
feeo ← Inês Condeço
Numa linhagem nebulosa que se traça sem grande linearidade da narcose low key de “Nearly God” de Tricky por via dos momentos mais vaporosos de Kate Bush em “Aerial” até à esfera de Mica Levi ou da soul descarnada de Niecy Blues, as canções do último álbum de feeo, “Goodness”, partem de um minimalismo instrumental feito de pequenas nuances melódicas e texturais, suavemente levantadas de sintetizadores ambientais, acordes dolentes de guitarra ou piano e percussão subliminar, para suster uma voz branda na entrega mas tocante na expressão.
Inês Condeço tem vindo a desenvolver um percurso independente onde explora sonoridades e ambientes próprios no universo da música eletrónica, ambient e experimental, utilizando piano, voz e sintetizadores. Apresentará temas do seu novo álbum, “The Space Between Birds”, que será lançado em Abril.
DOMINGO 26 ABRIL / 19H
Living Room x ZDB: Purelink ← Usof
Ao reconfigurarem grande parte dos padrões estandardizados a que a esfera da música ambiental se vinha habituando, durante a pandemia os Purelink souberam criar comunidade, obra e identidade com apenas três discos na mão. Sintonizando frequências deixadas pelo catálogo da Basic Channel, Tommy Paslaski, Ben Paulson e Akeem Asani diluem ecos dub, melodias shoegaze e alusões house em meio-tempo, construindo uma linguagem própria. O seu mais recente disco, “Faith” – para o qual convidaram Loraine James e Angelina Nonaj a emprestar a sua voz -, abre uma página inédita, mais ampla e ambiciosa do que nunca.
Usof é um artista a empurrar a definição de música ambient para um território mais convoluto. A sua discografia inclui “stay longer””na australiana Theory Therapy e “Wish You Were Nicer” pelas americanas enmossed e Psychic Liberation.
TERÇA 28 ABRIL / 21H
Giovanni Di Domenico & Tatsuhisa Yamamoto ← Manuel Mota
Giovanni Di Domenico tem regressado ao palco da ZDB pontualmente. Numa dessas investidas, a triangulação entre a guitarra de Norberto Lobo, o piano de Domenico e a bateria de Tatsuhisa Yamamoto resultou numa existência perene em ‘In ZDB’ pela three:four em 2015. Desenrolada mais de uma década desde então, a cumplicidade entre o pianista e multi-instrumentalista italiano e o baterista japonês tem sido nutrida em diversas frentes, em conclave com nomes como Jim O’Rourke ou Eiko Ishibashi. Currículos plenos que se cruzam numa rede tão densa quanto meritória e que em duo nos ofereceram já o hipnótico “Mokusatsu” na Matière Mémoire.
Mais do que um explorador da guitarra no seu sentido mais formal e asséptico, Manuel Mota é um apaixonado pelo instrumento cujo estudo minucioso em torno das suas características se revela sempre pleno de lirismo. Com a tradição mais romântica e poeirenta dos blues a assombrar o seu trabalho, Mota é uma das figuras de proa do improviso em solo europeu, e um dos guitarristas mais vitais das últimas duas décadas em qualquer lado.
QUINTA 30 ABRIL / 22H
James Blackshaw ← Cavalo55
Apesar do inegável virtuosismo intrínseco às muitas composições que James Blackshaw tem vindo a revelar, este celebrado nome do fingerpicking nunca se deixa levar pelo pizzazz técnico, refugiando-se numa esfera sensitiva, plena de intuição e detalhe. No seu mais recente álbum, “Fractures On The Horizon”, regressa à sua esfera mais hipnótica, descartando a canção e os arranjos mais sumptuosos para assumir a guitarra como elemento primordial, com espaço para momentos mais droney para órgão e sopros, em longas digressões que quebram com a linearidade do tempo e se deixam levar, instintivamente, até à sua conclusão.
Cavalo55 é um cantor e compositor folk multi-instrumentista com uma forte influência americana e um som que tem sido comparado ao de artistas e contemporâneos como Kevin Morby, Lord Huron e Gregory Alan Isakov.
Informações e bilheteira em zedosbois.org











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