Já está disponível a programação do mais castiço aquário de Lisboa para o mês de Junho. Pela ZDB, vão passar nomes como Nourished By Time ou Christopher Owens. Ficam as apresentações.
3 Junho, 21h00
Gouge Away ← Hetta
Com nome sacado à malha final de “Doolitle” de Pixies, Gouge Away é um quinteto da Flórida que reaviva o espírito do Rock. Conduzidas pela voz e lírica assertiva de Christina Michelle, entre berros lancinantes, as feras de Deep Sage – último disco da banda – contemplam momentos intempestivos atirados à jugular e passagens dissonantes em tensão, com a barragem de guitarras ancorada na precisão rítmica do baixo e da bateria. É uma busca de catarse colectiva, uma e outra vez.
Hetta é um quarteto incendiário oriundo do Montijo. Formados por Alex Domingos na voz, João Pires na guitarra, Simão Simões no baixo e João Portalegre na bateria, os Hetta têm revitalizado as fundações do post-hardcore com toda uma astúcia e honestidade que não sucumbe à esterilidade técnica nem ao niilismo ruidoso.
4 Junho, 21h00
Super Ballet: Nourished By Time ← mokina
Colocando-se entre o pós-r&b e a música pop de esquerda (palavras do próprio), o cantor, compositor e produtor americano Marcus Brown não se agarra com unhas e dentes às décadas de 80 e 90, mas o seu centro cósmico-musical vem daí. Depois de “Catching Chickens”, Nourished By Time prepara-se para mostrar “The Passionate Ones”, que vai buscar inspiração a clássicos de rap, mas também a Meat Loaf e Ennio Morricone, sem esquecer SWV ou Jodeci.
mokina acalma o público com o seu canto e composição a um nível de satisfação diferente, misturando nuances de soul, indie-alternativo e jazz através de harmonias vocais intrincadas e paisagens sonoras sonhadoras.
5 Junho, 21h00
Christopher Owens ← A Sul
Christopher Owens regressou aos discos com “I Wanna Run Barefoot Through Your Hair”, música para expulsar demónios. A voz de Owens em 2025 é a de alguém que canta com a vontade de criar algo que conta o tempo e que quer resistir contra o tempo. Se antes a sua música vivia para explodir antes que algo mude, hoje existe para encontrar um caminho e persistir ao longo do tempo.
Compositora e produtora das suas próprias canções, A Sul procura transformar som em imagem, conferindo à sua música um forte carácter visual e cinematográfico, resultando numa experiência envolvente. Prepara-se para lançar o seu primeiro álbum de longa duração, “QUER QUER QUER”.
6 Junho, 22h00
Dummy ← pôt-pot
Soam a muita coisa, não soam a nenhuma delas, soam a Dummy. No seu mais recente trabalho, “Free Energy”, vão buscar elementos aqui e ali criando uma grande e saudável misturada. É como se fossem muito bons matemáticos e encontrassem fórmulas perfeitas para explicar o mundo. O mundo que eles explicam é o do rock dos últimos cinquenta anos. Acontece de forma tão simples, sintética e tangível que este trio de Los Angeles é hoje coisa imperdível na música popular
pôt-pot dedica-se ao krautrock/psych/drone grooves inspirado no final dos anos 60 e em deixar os ouvintes completamente extasiados. Planeiam lançar o seu primeiro álbum completo no final de 2025, continuando a espalhar o seu groove às massas.
7 Junho, 22h00
Chanel Beads ← Snow Bungalow
Nascida da imaginação fértil de Shane Levers, a banda nova-iorquina Chanel Beads foi ganhando uma reputação que se alastrou com o lançamento de “Elf” em 2023. Aos estalos de sintetizador, à bateria crua e àquela voz que não está com grandes preocupações de Maya McGregor, juntou-se o multi-instrumentalista Zachary Paul. O seu disco de estreia, “Your Day Will Come”, consegue ser tão expansivo na sua palete de influências e assombrações como simples na sua execução.
Unindo-se pelo amor mútuo pela cultura indie e pela busca de significado num mundo moderno barulhento, Miguel Silva (Voz/Guitarra) e Gonçalo Protásio (Bateria) juntaram-se a Tomás Alves (voz/guitarra) e Jamie Hornman (Baixo), formando Snow Bungalow. Recentemente lançaram o seu primeiro single, “a blurred memory through an idyllic haze”.
17 Junho, 21h00
COLA ← Tomás Varela
Considerado como um dos melhores álbuns rock do ano passado, “The Gloss”, dos canadianos Cola, ouve-se como uma garantia de que o pós-punk funcional está em boas mãos. Tim Darcy, Ben Stidworthy e Evan Cartwright, trazem um rock com o tempo de se ouvir a si mesmo, passar pelo passado, com ou sem nostalgia, e fazê-lo sentir como algo de agora, onde o rude e o tédio do presente brilham a construir novas memórias.
Tomás Varela regressou com o seu primeiro disco, que espelha a variedade que as diferentes ocasiões de composição das músicas trouxeram consigo. Podem sentir-se travos de Chico Buarque, José Afonso, Fausto, mas também um Éme, um Fernando Maurício, talvez uma ou outra banda mais rock.
20 Junho, 22h00
Cruz Vermelha #3: Crossed ← Mouthful of Grief ← Pedro Tavares & Rodolfo Sobral ← Scatter
CROSSED foi formada em Madrid em 2017 por membros das bandas locais Mr.mime, Eros+Massacre e Boneflower. Depois do EP “Vida Quieta”, com faixas mais experimentais, mas mantendo a intensidade visceral e a pesada que os caracterizam, lançaram o seu último álbum, “Realismo Ausente”, em Março.
Scatter são uma banda de pós punk do Porto, em Portugal.
Mouthful of Grief é uma abordagem crua, caótica e desesperada do Hardcore. O som mistura a agressão/agressividade do Powerviolence e do Chaotic Hardcore com as texturas sufocantes do Noise e do Black metal. É catarse sem resolução — feia e viva.
Rodolfo Sobral e Pedro Tavares criam obras sonoras experimentais baseadas na improvisação.Juntos, constroem experiências auditivas imersivas que fundem a fronteira entre a composição e o acaso.
22 Junho, 19h00
Will Guthrie & Ensemble Nist-Nah @ Igreja de Santa Catarina
Will Guthrie, um dos nomes mais infatigáveis da bateria e da percussão, regressa à ZDB com aquela que é provavelmente a sua criação mais ambiciosa. Guthrie tem na versão ensemble do seu Nist Nah o catalisador para uma visão mui própria mas plenamente informada do gamelão Indonésio, longe da secura académica ou da aculturação brute force. Já com um hipnotizante álbum, “Elders”, e uma colecção de gravações ao vivo de nome Bits’N’Bobs, o Ensemble Nist Nah entrou em 2024 na sua segunda fase, que poderemos ver ao vivo neste concerto.
24 Junho, 21h00
Anna B Savage ← Daphné Chenel
A londrina Anna B Savage tem um invulgar talento para evocar uma série de coisas boas e outras tantas demoníacas que existiram na folk e na pop-indie-rock dos últimos trinta anos. As novas canções, em “You & I Are Earth”, são uma carta de amor à Irlanda, não ao país, mas ao imaginário folclórico que contamina muita da arte/cultura. Uma carta de amor que é escrita com a fluência das canções de amor de folk e épico exacerbado que procuram paisagens que sirvam a um romance.
Daphné Chenel é uma cantora e compositora francesa. Depois de lançar o seu primeiro EP, “Mue”, em 2023, regressa com um novo projecto com uma estética mais indie-folk e canções inéditas.
27 Junho, 22h00
LOVE SONG – Volúpias & Pedro Branco ← Sara Félix
Reflectindo as trajectórias do baterista Gabriel Ferrandini e do saxofonista Pedro Alves Sousa ao longo da década que passou desde que revisitaram esta peça monumental de Tony Williams, esta nova evocação encontra os dois músicos já num outro patamar, assumindo a formação em trio, com Hernâni Faustino no contrabaixo, que gravou ‘Volúpias das Cinzas’ e se tornou na working band Volúpias. Nesta noite, junta-se a este trio Pedro Branco, guitarrista de créditos bem firmados, aqui numa rara aparição ao piano.
Sara Félix tem apresentado uma constante dualidade entre composição e improvisação, e também a procura de vastas referências, desde o rock, experimental, jazz ou free jazz. Para este concerto, estreia-se a solo, levando o saxofone pelos caminhos da improvisação.
28 Junho, 18h00
GRAVV. na ZDB
GRAVV. é uma voz artística da periferia. Um colectivo fundado por e para. Criado por jovens que fogem da frustração de um meio cada vez mais centralizado e adormecido, esta plataforma é uma pista de lançamento para a constante metamorfose. Representa a ansiedade de querer chegar a horas mas não saber se o comboio vem e pretende ser um porto seguro não convencional. Musicar poesia, relatar paisagens, gritar inseguranças, ouvir o silêncio. Trazem ao palco da ZDB Desert Smoke, Ben Yosei, Pato Bernardo, Durvena Cabina, alga, CARLOS?, Máquina de Fumo, Francisca Dantas e Arni.
30 Junho, 21h00
Fine ← Paoyvinho
Fine é mais uma alumnii da escola dinamarquesa de cantoras esotéricas que estão a repensar o formato de canção no início desta década. Nas canções de Rocky Top Ballads, álbum de estreia da cantora e produtora dinamarquesa, perdemo-nos, uma e outra vez. Deixamo-nos levar por tudo o que acontece, por cada guitarra sonhadora, por cada melodia da voz encantadora de Fine. Por um momento, tudo é possível de esquecer, tudo é possível de se querer.
Santa Maria da Feira, Aveiro, Lisboa, canções pequenas a voz alta… Paoyvinho, guitarra e mel!












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