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NOS Alive 2025: 13 destaques para espantar o mau olhado (e fazer a festa)

Por Pedro Miguel Silva · Em 27/06/2025

Está quase aí a 17ª edição do NOS Alive, que chega ao Passeio Marítimo de Algés nos dias 10, 11 e 12 de Julho. O Deus Me Livro passou os olhos pelo programa de festas e, rejeitando qualquer ideia de superstição, apresenta 13 destaques.

Já foi princesa da Disney, arrasou no High School Musical e, com apenas 22 anos, é autora de dois longas-duração – “Sour” (2021) e “Guts” (2023) – de ouvir e chorar por mais. Olivia Isabel Rodrigo chega ao NOS Alive depois de ter dado cartas na GUTS Tour, que contou com mais de 1.4 milhões de espectadores e se tornou a mais rentável de um artista nascido neste século. Seeing her that night, is a good idea – right!? Podem crer que sim.

Se tivesse falhado como músico, Noah Kahan poderia, quem sabe, ter embarcado numa carreira de comediante, à boleia do espírito judaico que nos diz que “rir de nós próprios é o melhor – o único – remédio”. Nas suas letras, assentes em fundações frágeis, descobrimos uma honestidade em ponto cru e uma boa dose de auto-depreciação, cenário que Khan envolve num humor que é um verdadeiro bálsamo. Para além de tudo isto, ainda dedica parte do seu tempo ao The Busyhead Project, que fundou para combater o estigma e alargar o acesso à saúde mental. Props.

Não se sabe de onde Joshua Mainnie terá sacado o nome Barry Can’t Swim – até porque promete levar o segredo para a tumba -, mas a verdade é que, perto da pista de dança, ele é o peixe-rei. Produtor escocês, Barry Can’t Swim mistura jazz, electrónica e tudo aquilo a que consiga deitar a mão, construindo malhas que são verdadeiros feitiços dançantes. Chega ao NOS Alive um dia antes do lançamento de “Loner”, a nova rodela da qual já se conhecem metade dos temas – são bons, muito bons. Por aqui, apontamos este como um dos momentos imperdíveis desta edição.

Dave Bayley, vocalista, produtor e o dínamo dos Glass Animals, tem colocado nos discos um pouco daquilo que Karl Ove Knausgård tem vertido nos seus livros: uma autoficção desgovernada que, no seu caso, oferece mais estilo e poder inventivo. Depois de “Zaba” (2014), disco de estreia que nos apresentou ao som de marca dos Glass Animals, já tivemos discos como “How to Be a Human Being” (2016), onde cada música representa um personagem fictício inspirado em pessoas que conheceram durante as digressões; “Dreamland”, um álbum introspectivo onde Bayley recua à infância e fala de relações complexas; ou o mais recente “I Love You So F**ing Much” (2024), que explora temas como o amor e a vulnerabilidade emocional, reflectindo a experiência de Bayley com a fama após o sucesso de “Dreamland”. Um caldeirão de synth pop, indie, R&B e hip-hop, onde mergulhar sem qualquer medo de afogamento.

O furacão Nathy Peluso chega ao palco Heineken no primeiro dia do NOS Alive, com a sua mistura de neo-soul, trap, rap e pop temperada com ritmos tropicais. À boleia do lamento “Esta ambición me está matando”, suspirado em “Corleone”, a argentina radicada em Espanha vem apresentar-nos “Grasa”, disco onde partilha as dores do crescimento mediático e o medo da página – ou letra – em branco. Olé!

Sam Fender é um verdadeiro working class man, praticante de um indie rock de grande coração e letras que dão trabalho à consciência. Aos 31 anos já nos ofereceu três grandes discos, o último deles – “People Watching” – candidato a figurar nas listas das melhores rodelas musicais de 2025. O tema-título foi escrito para a sua falecida amiga e mentora, Annie Orwin, a partir dos pensamentos de Sam enquanto viajava de e para a sua casa de cuidados paliativos. Esperem um cruzamento entre a lírica de Bruce Springsteen e o embalo musical dos The Verve, e uma secção de sopros que estará na linha da frente. “Before, I`m pushin`up daisies; Give me a long heady summer”. Venha de lá esse Verão.

Em 2024, para desilusão de muitos ravers, partygoers e incondicionais da música de dança, os Justice cancelaram a sua actuação no Primavera Sound Porto, isto depois de o palco ter afundado sob o peso de toda a parafernália sonora e cénica trazida para a festa. Estão agora de regresso ao burgo para actuarem no NOS Alive, numa celebração onde vai caber prog, metal, new wave, indie, vintage funk, disco, house e techno. “Hyperdrama” (2024), o recente longa-duração que contou com a participação de gente como Kevin Parker, Miguel, Connan Mockasin ou Thundercat, foi construído a dois andamentos, alternando entre a dream dance e a vertigem radical do techno. Entre a luz e a sombra, entreguemos os nossos esqueletos dançantes a Xavier de Rosnay e Gaspard Augé.

Corria o ano de 2007 quando Annie Clark, reservando o seu lugar na história da religiosidade como St. Vincent – ou Santa Vicente em tradução livre -, editava o seu disco de estreia. “Marry Me” trouxe inovação, fascínio e estilo, mostrando uma escrita de canções bem acima da média, uma guitarra que era toda ela invenção e uma atitude subversiva no que dizia respeito às convenções sonoras, fossem elas escritas para regular a pop ou o rock. Desde então nunca mais parou, tendo editado em 2024 o disco “All Born Screaming”, o seu sétimo longa-duração sobre o qual disse isto: “Se nascermos a gritar é um óptimo sinal, porque significa que estamos a respirar. Estamos vivos. Meu Deus. É uma alegria. E também é um protesto. De certa forma, todos nascemos em protesto. É aterrorizante estar vivo, é extático estar vivo. É tudo”. O protesto gritante fica marcado para 11 de Junho, no Palco Heineken.

O banco de trás sempre foi o território da iniciação e do mito, um lugar mítico – e algo desconfortável – que Joshua Harmon (voz, guitarra) e Jonas Swanson (guitarra) – os membros fundadores – decidiram adoptar como o nome ideal para a sua banda de rock alternativo e carregado de emoção. Os The Backseat Lovers chegam ao NOS Alive com duas rodelas no currículo – “When We Were Friends” (2019) e “Waiting to Spill” -, esperando-se um fim de tarde memorável.

É um regresso ao NOS Alive, depois de uma passagem em 2018 que esteve entre a comoção profunda e a administração de uma injecção de adrenalina. Desde então, os Nine Inch Nails reavivaram a série instrumental Ghosts (Ghosts V e VI, editados em 2020) e juntaram-se ao Rock & Roll Hall of Fame, contando com a bênção do insuspeito Iggy Pop. Espera-se um volume bem alto, visuais capazes de estimular tremores e chaminés industriais em plena laboração. Até lá, vão deixando crescer essas unhas.

Os Amyl and The Sniffers chegam ao NOS Alive num pico de forma, à boleia do longa duração “Cartoon Darkness”, gravado nos estúdios 606 dos Foo Fighters, produzido por Nick Launay (Nick Cave & The Bad Seeds, Yeah Yeah Yeahs) e lançado em Outubro do ano passado. Um disco que, segundo Amy Taylor, é “sobre a crise climática, guerra, inteligência artificial, andar sobre as cascas de ovos da política e as pessoas sentirem que estão a ajudar ao terem uma voz online, quando na verdade estamos apenas a alimentar a máquina de dados das Big Tech, o nosso deus moderno. É sobre o facto de que a nossa geração é alimentada com informação. Parecemos adultos, mas somos crianças para sempre encapsuladas numa concha. Estamos todos a engolir passivamente distrações que nem sequer causam prazer, sensação ou alegria; apenas causam entorpecimento”. Punk rock australiano, em celebração da desobediência civil e do espírito fora-da-lei que não pode morrer.

A patente não está nas suas mãos, mas a verdade é que com Conor Oberst a sad indie music tornou-se uma cena. Com letras esculpidas com um cinzel poético, vertidas com um tormento que nem um Halls conseguiria tratar, Conor Oberst era ainda um teenager quando se deu a conhecer como Bright Eyes, que com as entradas de Mike Mogis e Nate Walcott se viria a tornar um trio. Os melhores disco da banda foram editados na década de 2000, todos com o selo da Saddle Creek, esperando-se que possam ser estes o prato principal de uma banda que acaba de lançar uma nova rodela: “Five Dice, All Threes, que contou com colaborações como Cat Power, Matt Berninger (The National) ou Alex Orange Drink (The So So Glos).

O que acontece quando se funde a pop contemporânea com a música country, tudo muito bem misturado no caldeirão do Panoramix e temperado com espírito teatral? Pois bem, o que acontece dá pelo nome de CMAT, uma estrela pop que chega de Dublin, Irlanda. O seu universo, onde cabem histórias e comentários sobre saúde mental ou o raio dos relacionamentos, foi desenhado com muito humor, e nele já se formaram dois planetas: “If My Wife New I’d Be Dead” (2022) e “Crazymad, For Me” (2023) – descrito por CMAT como um álbum conceptual em três partes sobre uma relação traumática, que envolve viagens no tempo falhadas e um desvio à Paris dos anos 1890. Pode bem ser uma das grandes surpresas do NOS Alive 2025.

Bilheteira

Foto: Hugo Macedo

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Pedro Miguel Silva

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