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NOS Alive 2016, 7 Julho: o dia em que a electrónica salvou o mundo (ou, pelo menos, um festival)

Por Pedro Miguel Silva · Em 08/07/2016

Rocknrollas bem mas não me alegras. Não foi mas poderia bem ter sido uma tirada dita ao ouvido de muitas das bandas que ontem passaram pelo NOS Alive, e que ficaram a milhas de causar qualquer ponta de excitação. Se, por exemplo, os The 1975 soaram como uns INXS em modo deslavado e sem recurso ao modo centrifugação, os Pixies são uma pequena anedota daquilo que foram há décadas, sem garra, chama ou qualquer genuinidade, conseguindo a difícil proeza de datar uma música que parecia ter estado sempre à frente do tempo.

É certo que houve fatos à medida, algum jogo de cintura, aleluias a rodos e pingue-pongue de Yeahs e Yos, cortesia dos Vintage Trouble; uma viagem entre Espanha e o Mississipi, servida pelo zeppeliniano Robert Plant – e os Sensational Space Shifters -, que pode já não chegar ao ponto de rebuçado do esganiço mas, ainda assim, mostrou estar em excelente forma; ou o mel com algum fel electrónico de John Grant, que mais parecia um bife de férias em Albufeira. A verdade, essa, é que o primeiro e único dia não esgotado do NOS Alive foi marcado pelo triunfo da electrónica, sobretudo pelo bombástico e muito cinematográfico concerto dos Irmãos Quimigal ou, se preferirem, os The Chemical Brothers.

Muito antes disso e em modo sunset, Xinobi tratou de abrir caminho para que a electrónica saísse de Algés levada em ombros, com temas como “See me” – com a participação de Lazarusman – “Mom and Dad”, “Crime” ou “Real Fake” a provocarem os primeiros motivos de festa.

Quanto ao Soulwax deram um concerto tremendo, o melhor do dia no que diz respeito a instrumentos a sério. Três baterias, dois teclados, guitarras eléctricas e uma generosa dose de imaginação – isto para lá do ar de banda filarmónica com uma indumentária combinada e em tons clássicos -, levaram ao rubro o Palco Heineken, que por esta altura já fazia a festa como se o Euro tivesse terminado e a taça fosse nossa. Dance music in the making, servida por dois dos seus mais entusiasmantes praticantes, que ainda voltariam mais tarde como 2 Many DJS para animar quem ainda tinha pernas.

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Épico foi sem dúvida o concerto dos The Chemical Brothers, responsáveis por alguns dos melhores beats e programas de fritura que a história da música de dança já conheceu. A dupla britânica, constituída por Tom Rowlands e Ed Simons, ofereceu um set irrepreensível, onde não faltaram clássicos como “Hey Boy Hey Gril”, “Galvanize” ou “Block Rockin’ Beats” ou, pelo meio, uma homenagem aos New Order com a inclusão do hino “Tempation” (estávamos em 1987 e o disco que então mais rodava era “Substance”).

Os manos de armas provaram, ainda que não precisassem de o fazer, que oito longas-duração depois continuam a ser reis e senhores dessa coisa de alimentar corpo e mente com beats arrancados ao lado maléfico da força, de jogar com as mudanças de ritmo e conduzir os corpos à vertigem – mesmo que sem sombra de químicos.

A componente visual do concerto foi do melhor que já passou pelos palcos nacionais, com o recurso não apenas a imagens de fundo mas, também, a objectos de grandes dimensões, fossem cristais que espalhavam lasers ou gigantescos robots que disparavam raios pelos olhos. Um festim musical e visual, música de dança com muito cinema pelo meio. A noite foi toda deles e a sorte, essa, foi toda nossa. The brothers gonna work it out. The brothers gonna work it out.

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Pedro Miguel Silva

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