Charlie Mackesy foi cartoonista do The Spectator e ilustrador de livros da Oxford University Press, mas foi “O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo” (ler crítica), editado em livro no ano de 2019 – após se ter transformado numa sensação online e em exposição -, a pô-lo no radar literário, numa história que tem o seu quê de Principezinho dos tempos modernos.
Desde então, Charlie Mackesy continuou a editar álbuns sob o chapéu O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo, primeiro com “A História em Movimento” e, mais recentemente, com este “Nunca te Esqueças” (Iguana, 2025). A receita acaba por ser parecida mas, se os livros fossem comprados apenas por um simples folhear, teríamos aqui a chamada compra de impulso.
“Sempre gostei de partilhar desenhos, mas nunca pensei que faria um livro com eles. Agora fiz outro, o que é intimidante, mas tento imaginar alguém que se sente mais leve por causa dele. Talvez seja tu”. As palavras são do próprio Mackesy, numa história sobre “quatro amigos improváveis que não fazem ideia para onde vão, ou o que procuram, que é como me sinto muitas vezes”.
Nesta história sem grande história, o leitor vê-se prendado com frases com o embalo de um Paulo Coelho, onde se enaltecem sentimentos e estados como bondade, paciência, coragem, amor, gentileza ou esperança, a que se juntam bolos diversos, cortesia da sempre gulosa toupeira.
Os desenhos e as cores são incríveis, em técnicas variadas que incluem tinta-da-china ou aguarela, servidos numa edição de capa dura que mais parece um diário gráfico. Trata-se de um livro feito de frases soltas, no espírito de um manual ilustrado de auto-ajuda, onde às conversas ao espelho – “Sou amado” – se juntam outras com poesia quase paisagística – “Pergunto-me se a neve vem com sabores” -, mas ainda assim descobrem-se máximas que se poderão adoptar para uma vida mais feliz: “Não deixes para amanhã o bolo que podes comer hoje”. Carpe Diem.











Sem Comentários