Para aqueles que frequentavam o Tumblr por volta de 2014, os The Neighbourhood são um nome muito familiar. A banda da Califórnia foi uma espécie de acontecimento inevitável nas vidas das raparigas (então) de 13 anos, e foi essa nostalgia que encheu a MEO Arena no passado dia 12 de Setembro. Após um hiato iniciado em 2022, o regresso dos americanos foi celebrado entusiasticamente: “(((((ultraSOUND)))))”, o quinto álbum de estúdio, foi lançado a 14 de Novembro de 2025, acompanhado mais tarde por uma versão deluxe e uma tour mundial.


Antes do prato principal, o público português teve direito a dois actos de abertura: primeiro com Noise Dept, que trouxe uma certa atmosfera electrónica, passando mesmo um remix do tema “Holy Ghost”, do último álbum dos The Neighbourhood; de seguida foi a vez de Nessa Barrett, uma querida do TikTok que, após viralizar na plataforma, decidiu perseguir uma carreira musical. Veio acompanhada de guitarrista, teclas e bateria, e teve tempo para mais do que um solo de guitarra em nome próprio, com influências muito Arctic Monkeys e Melanie Martinez. Fez ainda um cover de “Glory Box”, dos Portishead, acabando a actuação com o hit “PORNSTAR”.
“Can you hear me?”. Foram estas as palavras iniciais de Iris que, para além de aparecer em alguns pontos no decorrer deste último álbum dos The Neighbourhood, acompanhou o público durante o concerto. Como uma espécie de Siri, disse que iria estar a vigiar e a cuidar dos fãs, apesar de não achar que algo fosse correr mal. Numa espécie de aviso, acrescentou que as coisas não são sempre o que aparentam, e que não existem apenas zonas pretas e brancas. Declarou que não seria preciso cinto de segurança, e sugeriu que os braços deveriam ser mantidos em cima durante a duração do concerto. Para acabar, convidou as pessoas a encontrarem o seu lugar e a levantarem-se, apresentando depois os seus amigos.

Jesse Rutherford (vocalista), Jeremy Freedman (guitarrista), Zach Abels (guitarrista), Mikey Margott (baixista) e Brandon Fried (baterista) sobem finalmente a palco, começando com “Hula Girl” – tema de abertura do seu disco mais recente, que acompanha o vocalista num acidente de carro enquanto vê todos os seus sonhos serem deitados pela janela. Seguiu-se “OMG”, também do seu mais recente lançamento, com uns gráficos que fizeram lembrar a capa de “Blur: The Best Of”, com cada membro enquadrado por uma cor.
Após estas músicas mais recentes foi altura para alguma nostalgia, com temas como “Cry Baby” e “R.I.P 2 My Youth”, do álbum “Wiped Out!”, ou as mais emocionais “Reflections” e “Void”, do disco “Hard to Imagine The Neighbourhood Ever Changing” – esta última envolta numa espiral de hipnotismo.

Regressou-se ao presente com “Zombie”, acompanhado de luzes verdes e roxas e de uma filmagem críptica feita a preto e branco, percorrendo um túnel cheio de grafitti. O amor preencheu a MEO Arena com “Lovebomb”. Luzes e lasers cor-de-rosa, juntamente com fogos de artifício preencheram o ecrã, criando uma atmosfera de amor efervescente. Levaram-nos depois para dentro de um filme francês antigo com “Le petite Mort”, mais conhecida como “A Little Death”, seguida de “Afraid”, música que revela o medo de Jesse acordar e ter sido substituído, algo enunciado com a imagem de um olho a abrir e fechar, tal como se estivesse a acordar. Segui-se um passeio pelas nuvens com “You Get Me So High”, uma espécie de pôr do sol com “Fallen Star”, tendo a melancolia atingido o auge com “Nervous”. No entanto, um dos visuais mais marcantes deu-se em “Planet”: o planeta Terra surgiu em rotação, sendo o continente mais visível o próprio logo da banda, acompanhado de lasers coloridos. Foi então altura de ficarem mais atrevidos em “Devil´s Advocate”, com o cameraman à solta no palco, levando-nos-nos ao inferno com um painel de fogo, assinalando o final do primeiro acto.
“Yearning is encouraged”. Foi este o lema do segundo acto do concerto, onde Iris recomendou lenços de papel para os mais sensíveis – e uma pausa para casa de banho para aqueles menos lamechas. Jesse começou com a muito adorada “Baby Came Home 2”, acompanhado apenas de guitarra. A banda juntou-se mais tarde, acabando com uma transição para “The Beach”, onde nos deixámos levar pelas ondas. O concerto prosseguiu com “Pretty Boy” e “Cherry Flavoured”, esta última acompanhada de umas projecções à Cocteau Twins.

O terceiro e último acto do concerto trouxe-nos os clássicos que levaram a banda a tornar-se numa das mais relevantes da última década. A nostalgia atingiu o pico em “Daddy Issues”, com o ecrã a projectar a capa do tão adorado álbum “Wiped Out!”, seguida de “Private”, com o público a entoar a melodia de fundo. “Sweater Weather” foi o momento que levou a arena ao rubro, onde nem se gaguejou durante um segundo, cantando-se as palavras como se estas fossem algo de intrínseco à natureza de cada um. Em “Softcore” as faíscas voaram, tendo esta bela noite fechado em ritmo de festa com “Red Flag”. Após um concerto destes, receber a notícia de que a banda irá regressar em 2027 para o NOS Alive foi uma bênção.
Fotos: João Padinha / Everything is New
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Promotora: Everything is New











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