No próximo dia 19 de Setembro, a Casa Capitão celebra o seu primeiro aniversário, com uma festa rija que começa cedo e se irá prolongar até de madrugada, com propostas para todos os gostos. Segue-se uma visita guiada – e emocionada – pelo programa.
Ainda não acreditamos que já passou quase um ano. Desde 19 de Setembro de 2025, a Casa Capitão foi palco de centenas de concertos, seguidos de tantos ou mais dj sets no Baile. Também houve noites de joga e quizzes, debates e exposições, sessões de cinema, peças de teatro e lançamentos de livros no Quiosque. Milhares de pratos e momentos foram partilhados à nossa Mesa. A 19 de setembro de 2026, celebramos.
O programa do primeiro aniversário da Casa Capitão é, ao mesmo tempo, um sumário do que foi este ano e um esboço do que esperamos que sejam os próximos. Vai haver concertos e dj sets espalhados pelos três pisos e pelo Terraço da Casa, instalações e sessões de contos, novos pratos para partilhar à Mesa e no Postigo. Com entrada livre, até às 23h00. Pagando-se apenas a partir da meia-noite.
As festividades começam pelas 12h30, com mais uma emissão ao vivo de “O Telefone Vermelho“, com Bruno Ferreira e Pedro Ramos, da Futura Rádio de Autor, a anunciarem a abertura da época do cozido — uma das novidades para os próximos meses, todos os sábados, na Mesa cá de Casa.
Logo a seguir, às 13h, inaugura-se a instalação interativa “Cocktail on the Dancefloor” de Mafalda Matos, no Sótão. É uma das propostas para toda a família deste sábado, a par da contação de histórias por Bruno Batista, no Primeiro Andar, e da selecção de jogos da Casa, que podem ser requisitados até às 18h ao Postigo.
Desligado “O Telefone Vermelho”, no Terraço, vai ser possível ouvir um set back-to-back de Bruno Pernadas e Femme Falafel; e mais um de Mafalda Nunes, da Sequin Fight Club, ladeada por Carlos Pereira, humorista, actor, argumentista e criador de séries que ainda não existem (mas vamos amar). Segue-se, a partir das 18h, um espectáculo inédito da Roda da MADDU; o Coach de Artista de Jhon Douglas, às 19h30; e a fechar o dia, entre as 21h e as 22h30, Cleiton Rasta & Vitor Cena.
Ao mesmo tempo que se escuta o Coach de Artista no Terraço, há um par de concertos a decorrer. No Rés do Chão, vai ouvir-se Maria Alice, inconfundível intérprete das mornas e coladeras de Cabo Verde, com a sua voz aguda e límpida. Para algo completamente diferente, no Sótão, a jarda dos Varge Mondar, formação thrashcore de Lisboa, com membros de The Youths e Cave Story nas suas fileiras. Saiu recentemente a primeira cassete, “Jogo do Bicho”: dez faixas em menos dez minutos, vendavais de porrada da boa.
Depois de uma pausa para respirar, às 21h30, tocam os Mangualde, uma das mais interessantes bandas de pós-hardcore a irromper pelo caminho aberto pelos Hetta ao longo desta década. Tocaram pela primeira vez as canções do álbum de estreia, “A Festa”, numa quarta-feira de Cinzas e regressaram agora, mais rodados, compelindo os corpos a colidirem enquanto o seu screamo vira grindcore vira sludge vira crust vira black metal. Com a bateria, o baixo e a guitarra em êxtase, enquanto o vocalista berra na cara da morte, como que a afastá-la dele. E de nós.
Antes de cantar os parabéns (informação privilegiada: houve a ideia do último concerto da noite ser uma espécie de festival da canção, com uma dúzia de bandas e artistas a passar pelo palco, a cantar canções suas, de outros e os próprios dos “Parabéns”; não deu. Talvez para o ano)…
Perdoem o solilóquio. Antes de se cantar os parabéns, tocam os 800 Gondomar, verdadeira cereja no topo do bolo que vai ser este dia de aniversário com entrada livre e aberta a todes. Por esta altura em digressão pela Coreia do Sul, os bravos proletários de Rio Tinto aterram em Portugal e rumam praticamente a seguir para o nosso aniversário.
É a primeira vez que recebemos o trio de Rui Fonseca, Alô Farooq e Luís Barreto cá em Casa desde o Ano Comum, em Fevereiro, e já tínhamos saudades destes operários do garage-rock. Vamos matá-las este sábado, no Rés do Chão, como eles “Mataram o Fábio”.
A partir da meia-noite, a Casa Capitão transforma-se em Baile. Um Baile inolvidável capitaneado por Quantic, alter-ego de Will Holland, DJ, produtor e multi-instrumentista britânico, sempre em busca do que soa a (e é) novo. Ao longo dos anos, passou pela Colômbia, onde se apaixonou pela cumbia e liderou projectos como Ondatrópica ou o Combo Bárbaro; também pelo Reino Unido, onde acompanhou de perto as mutações e inúmeras declinações da bass music britânica; e por Brooklyn, onde gere o estúdio e editora Selva.
Ao seu lado, no Rés do Chão, Quantic terá João Gomes, junkie do groove, teclista, produtor e dj; verdadeira referência do funk, da soul, do jazz e do hip-hop made in Portugal. E Cami Layé Okún, etno-musicóloga, coleccionadora de discos e arqueóloga das caves poeirentas das lojas de discos onde se descobrem as melhores preciosidades. Vai partilhar connosco pérolas do disco-sound cubano, funk tropical e outros tesouros afro-caribenhos como aqueles que todos os meses partilha no seu programa “Insolar” da NTS.
Já no Primeiro Andar voltamos a ter The Greatest Tits. Desta feita, as anfitriãs The Ema Thomas (isto é, Jenny Tall e Francisca Sousa tcp Techorpsen) partilham os holofotes com Katari, fundadora das riot grrls portuguesas Anarchicks, e Lizatron, promotora incansável e dj versátil, aqui numa onda mais electro-punk, industrial e sedutora.
Para o final, mas nem por isso menos importante (antes pelo contrário), ficou o programa do Sótão, encabeçado por DJ Plead. Australiano de ascendência libanesa, agora radicado em Berlim, é conhecido por reformular as músicas de baile do mundo árabe ao ritmo do pós-dubstep e de outros subprodutos da bass music. Apesar de mais contemplativo do que os sets, o seu álbum deste ano, “Please”, é um dos melhores discos de electrónica que ouvimos em 2026. Partilha a cabine com o patrão da Ilektronik Sangeet, Khalil Suleman.











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