Continuamos com a máquina alimentada a lume brando, desta vez para tirar a RádioGrafia a Rossana. A artista sobe ao Palco Giacometti do Bons Sons no dia 7 de Agosto.

Rossana é o alter-ego de Inês Barroso. Sem nunca se cingir às convenções, a compositora portuguesa radicada em Londres afastou-se progressivamente da sua formação clássica em piano, explorando géneros que vão do jazz ao psy-rock, passando por influências latinas, do folclore português e até da música electrónica. Ainda assim, por mais longe que vá nas suas explorações sonoras, consegue sempre reunir todas estas influências num universo sonoro que é inequivocamente seu. Em 2024, lançou o segundo LP, “À La Portugaise”, marcando um novo capítulo. Com raízes presentes, mas sem limites, bate-se pela procura constante de uma linguagem universal na música.
Aquela banda ou artista que te fez comprar uma revista só porque trazia um poster que ficava a matar numa das paredes do teu quarto.
Confesso que o único poster que tive no quarto foi aos meus 12 anos de idade e não era de um artista/banda, mas sim do Taylor Lautner, mais conhecido como Jacob na saga Twilight.
A banda ou músico que te fez comprar e usar uma T-Shirt.
Nunca fui de usar merchandise, mas creio que a primeira banda que me fez usar uma t-shirt foram os AC/DC aos meus 15 anos, influenciada por uma fase de rock americano meio contagiosa que me foi passada pelo meu primeiro namorado.
O primeiro disco em que usaste o dinheiro que tanto trabalho deu a enfiar no porquinho de barro.
O meu primeiro disco na verdade não foi comprado, mas sim emprestado (e agora que penso, nunca devolvido) – a banda sonora do “Cotton Club” (1986).
Os discos que os teus pais, irmãos e primos mais te fizeram ouvir.
Um empate entre Queen ao vivo no Wembley Stadium (1986) e um CD de Il Divo
Se pudesses viajar no tempo para ver um artista ou banda já desaparecidos, até onde te levaria a viagem?
Outro empate entre voltar ao Brasil e estar com a Clara Nunes, falecida em 1983, ou viajar até Hollywood nos anos 30/40 e presenciar a voz da Yma Sumac ao vivo.
O melhor disco para curar um desgosto amoroso.
“Love Deluxe”, Sade (1992).
E para ajudar a ultrapassar uma ressaca danada?
“The System EP”, um lançamento do catálogo da Music From Memory de uma banda perdida no tempo chamada The System.
Três discos que voltam recorrentemente a entrar na tua playlist.
“Brasileiro”, Sérgio Mendes (1992); “Nightclubbing”, Grace Jones (1981); “Gunfighter Ballads and Trail Songs” (1959), Marty Robbins.
A canção alheia que gostarias de ter escrito.
“Looking For You”, Nino Ferrer (1974).
A melhor canção ou disco de 2026 (até agora)?
“Vila”, de Fabiano Do Nascimento & Vittor Santos e Orchestra.
O filme de que gostaste tanto que já o reviste inúmeras vezes (e até já conseguiste decorar umas falas).
Ainda não tive oportunidade de o rever inúmeras vezes, mas “Cidade de Deus”.
O filme que te fez chorar tanto que tiveste de esperar uns minutos para sair da sala de cinema (para que ninguém te visse de olhos espremidos)?
Evito ao máximo ver filmes que causem essa reação, daí o meu género favorito ser terror. No entanto, basta um filme de animação ou personificar um objecto em que o enredo inclui algo de triste a acontecer para ter vontade de chorar.
Aquele livro de que gostaste tanto que, se te tivesse sido emprestado, pensarias pelo menos duas vezes antes de devolvê-lo?
“An Evil Streak”, Andrea Newman.
Se pudesses visitar um livro durante um dia, qual escolherias?
“Tokyo Express”, Seicho Matsumoto.
A cena mais romântica que já fizeste por alguém.
Estou tentada a falar das músicas que já escrevi para o meu parceiro de 9 anos, no entanto acho que o mais romântico foi ter contactado o escritor favorito dele (um estudioso de música psicadélica com inúmeros livros e ensaios sobre o tema) para lhe pedir 10 dicas de como estudar, analisar e escrever sobre este mesmo tema relativo a um livro dele que o meu parceiro estava a ler na altura. A reacção não teve preço.
Aquela comida de que gostas tão pouco que, se te for servida num jantar de amigos, tens de inventar uma dor de barriga?
Arroz de cabidela, orelha/bochecha de porco.
O prato que comerias sempre se não pudesses morder outra coisa.
Qualquer coisa à brás. Não há nada melhor que à brás.
Se tivesses Cem Soldos – o que, na moeda corrente, equivaleria a uma valente pipa de massa – para gastar numa extravagância, o que seria?
Uns bons hectares de terreno para albergar todo e qualquer cão, assim como veterinários e assistência contratada para me ajudar. O meu sonho, na verdade, é no futuro ter um santuário de cães.
O concerto no Bons Sons vai ser…
Memorável, inegável, contagiante.
Foto: Isis Gonçalves











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