Costuma dizer-se que não se deve julgar os livros pela capa, mas a verdade é que a capa de “Na Cabeça de Sherlock Holmes” (A Seita/ Arte de Autor, 2024) merece rasgados elogios. Sherlock Holmes surge, de perfil, com o seu inseparável cachimbo e, no recorte vazado, o próprio Sherlock sobe a um senhor escadote, perdido na bem preenchida secção do Crime da sua biblioteca pessoal.
Com argumento de Cyril Lieron e arte e cores de Benoit Dahan, acompanhamos de perto O Caso do Bilhete Escandaloso, não sem antes Sherlock Holmes nos indicar a sua maior fonte de desespero: “… é o tédio, o verdadeiro veneno que desestrutura o meu pequeno sótão”.

Estamos na cidade de Londres, o ano é 1890. Um colega de Watson é encontrado numa total desorientação a correr pelas ruas, “vestido de forma pouco ortodoxa, pretensamente incapaz de se lembrar da sua noite”. O seu nome é Dr. Herbert Fowler, e é ele quem surge à porta do nº 221B de Baker Street, acompanhado de um agente da polícia.
A única coisa de que se recorda, é ter ido a um espectáculo com um mágico chinês, que tinha bilheteira própria e que foi anunciado à última hora. Um ponto de partida suficientemente misterioso para que o grande detective saia da sua nuvem tediosa, decidido a resolver um mistério pautado por um enigmático espectáculo de magia, bilhetes com ideogramas chineses, um pó de origem desconhecida e desaparecimentos aparentemente aleatórios. E, a certa altura, por um encontro na morgue com Lestrade, que Sherlock diz ter “a tenacidade de um buldogue”.

Graficamente o livro poderá parecer algo confuso, com desenhos sobrepostos em mapas ou informação tão extensa quanto a do jornal do Expresso. Talvez por isso Benoit Dahan desenhe um fio vermelho condutor, para que o leitor não se perca no projecto arquitectónico que é a mente desta brilhante criação de Conan Doyle. Um dos mais originais álbuns de banda desenhada dos últimos anos.











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