“Vincent” (Iguana, 2026) é, desde a primeira página – e do primeiro desenho -, um absoluto triunfo. Barbara Stok apresenta-nos uma biografia desenhada de Vincent Van Gogh, pintor genial, centrando-se no período em que o holandês viveu em Arles, no sul de França, acabando por descobrir aí o ambiente onde concebeu algumas das suas obras mais conhecidas e celebradas.

Chegado a Arles, Vincent continua a acumular uma dívida de vários algarismos com o irmão Theo, que assumiu desde cedo um certo papel de mecenas, deixando que o irmão se entregasse à arte e esquecesse as chatices do mundo, como ter de pagar por um quarto ou a comida que se quer na mesa, no frigorífico ou na barriga. Em Arles, o talento de Van Gogh não é desde logo compreendido, valendo-lhe este comentário da parte de Dodge, um dos pintores da terra: “Ele não tem lá muito jeito, pois não?”.
Barbara Stok percorre uma série de capítulos e fases da vida de Van Gogh, como a sua dedicação por inteiro à arte, a ideia de criar uma casa de artistas, o aperfeiçoamento constante, a pobreza permanente, a relação com o amigo Paul Gauguin, ou a instalação da loucura, que teve como uma das consequências uma orelha cortada.

Nesta biografia imaginada, que inclui cartas trocadas entre os irmãos, Barbara Stok faz uso de um traço expressivo, recorrendo a cores intensas e vibrantes, numa arrumação superior das vinhetas e uma escolha certeira do tamanho e fonte de letra. Uma adaptação comovente e triunfal, de um período fulcral da vida de um dos mais influentes, fundamentais e talvez incompreendidos artistas de sempre.











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