Em 2016, partindo da vontade de “criar uma experiência de festival profundamente ligada ao lugar, à cultura e à comunidade” – como se pode ler na sua carta de intenções -, nasceu em Marrocos o MOGA, festival onde a música electrónica desempenhava o papel principal. A primeira inclinação nómada fez-se sentir em 2021, numa expansão que trouxe o festival para Portugal e a Costa da Caparica. Em 2025 foi a vez de Espanha e, de acordo com os rumores que circulam nas pistas de dança, poderá seguir-se o Rio de Janeiro, essa cidade brasileira que rima com festa.

Na edição de 2026, que decorreu entre 27 e 31 de Maio, o MOGA Caparica voltou a estender a programação a outros espaços da cidade, com uma programação paralela que incluiu festas de acesso gratuito, encontros culturais e actividades ligadas ao bem-estar e à vivência local, envolvendo a comunidade local num festival ligado a um género musical que, não rara vezes, é olhado com desconfiança e alguma sobranceria.

O Deus Me Livro besuntou-se com protector 50, sacou do panamá, vestiu uma roupa confortável para ir ao encontro do estilo casual chick dominante e foi molhar os pés à Praia da Morena, escolhendo o último dia do MOGA para mostrar as suas habilidades e truques de anca.

No campo musical, a nossa praia foi decididamente o muito ecléctico set de Jayda G, a canadense que prefere apostar na subtileza do house ao músculo do techno – e que apresenta uns moves bem interessantes, não deixando de cantarolar quando a ocasião assim o exige. Hayda serviu faixas onde os instrumentos dominavam e as vozes planavam, alternando verdadeiros bangers com grandes clássicos do House, num Set que deveria ser lançado para a posteridade.

Pelas costuras esteve o DJ Set dos The Blaze, uma das mais entusiasmantes bandas dos últimos anos saídas do universo dançante, com malhas ideais para incendiar as pistas de dança ou servir de metrónomo nas aulas de ginástica localizada. Os primos Guillaume and Jonathan Alric estiveram comedidos na pose mas efusivos na mistura, alternando os clássicos Blazianos com malhas que tanto foram beber ao tropicalismo brasileiro como ao delírio e génio de Thom Yorke. Trés bien.

Gostámos dos arranjos cénicos, da decoração dos palcos, do pôr do sol sobre o mar, da selecção de comes e bebes, ainda que o preço de uma cerveja fosse equivalente a 4 litros de gasolina 95 sem aditivos. Os acessos estavam tranquilos e, na estrada em que apenas passava carro e meio, os condutores mostraram-se à altura, entrando muitas vezes num “passa tu”, “não, passa tu”, como se fossem brits. Para o ano queremos repetir, e deixamos desde já alguns pedidos para o lava-pratos: Fred Again…, Charlotte De Witte e Barry Can`t Swim (este em concerto). Vemo-nos na pista em 2027.
..
Fotos: Luísa Velez











Sem Comentários