“O Livro das Coisas Sem Nome” (Gradiva Júnior, 2025) é um livro diferente, original, que parte da seguinte premissa: “Como dar dignidade às coisas que não têm nome?”. O mundo está cheio de coisas, mas nem todas têm um nome. Quando assim acontece, o que fazemos? (Re)Batizamos as coisas? Criamos novos nomes? Novas palavras?
Ao longo das páginas, percebe-se que dar nome às coisas é uma forma de lhes dar uma existência mais plena, de as reconhecer e as incorporar no nosso pensamento. Novas palavras surgem como um desafio singular, um acto de criação único. São as diferentes palavras que nomeiam e permitem comunicar, pensar e partilhar experiências, olhar de forma diferente e de pensar os objectos que nos rodeiam. No entanto, o livro vai mais longe ao exibir que nem tudo está ainda nomeado, deixando espaço para a invenção, a descoberta e o deslumbramento de criar e nomear. Ao desafiar o leitor a encontrar ou criar palavras para aquilo que ainda não tem designação, valoriza-se a criatividade linguística e o poder transformador da linguagem. “Descobre coisas que não tenham nome e inventa nomes para elas! Pode ser que entrem na linguagem de todos os dias!”.
Haverá uma palavra para designar a “nuvem que tapa o sol?”. “Que nome têm os azulejos amarelos?”. E “como se chama um papel amarrotado no chão?”. Estas e outras questões são pequenos desafios para que o leitor repare em tudo aquilo que existe à sua volta, mas que muitas vezes permanece sem nome e, com isso, quase invisível. A criação de palavras, este processo de nomeação, torna-se então um acto de liberdade e imaginação, mas também uma forma de conhecer melhor a realidade. Será que as palavras “bezimunda”, “aluziado”, “filepas” e “esmarrinhetas” existem, ou foram inventadas durante a leitura deste livro?
A narrativa permite inúmeras possibilidades de exploração, desde actividades de descrição e enriquecimento vocabular até exercícios de invenção de palavras e criação literária, valorizando tanto o que já tem nome como o que está ainda por nomear, contribui significativamente para o poder da linguagem enquanto forma de moldar o pensamento e do domínio da palavra.
A ilustração simples mas expressiva, dialogando directamente com o texto e, em muitos casos, sugerindo “coisas sem nome”. A complementaridade entre palavra e ilustração fortalece a ideia de que, ver e nomear, são processos relacionados, conectados, uma articulação que convida o leitor a participar activamente na construção de significados. Neste sentido, o livro [quase] se transforma num jogo que pode não ter um fim rápido. Afinal, quantas coisas existem sem nome?











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