É um daqueles livros que, quando chegada a hora de se escolher uma prenda para um bibliómano, acaba por reunir algum consenso. “O Vício dos Livros II” (Companhia das Letras, 2025), escrito por Afonso Cruz, é um livro sobre livros, uma viagem pelo prazer e a inquietação literária, num formato que cabe num bolso grande na sempre de elogiar capa dura.
É já o segundo título desta série, onde Afonso Cruz conversa com o leitor sobre personagens, manias, escritores e, também, sobre o seu próprio processo de escrita. Pelo caminho, a ilustrar estes pequenos apontamentos literários, há imagens de quadros de várias épocas e correntes, um museu vivo que dá ainda mais força à palavra escrita.
Em cerca de 160 páginas, Afonso Cruz fala da leitura como “uma arte de co-autoria”, recupera a morte do autor profetizada por Roland Barthes, elogia a diversidade de leituras – “o leitor do livro único ou de uma certa tendência estética é um leitor preguiçoso” -, abraça a rotina sem o enfado, aponta o dedo aos intelectuais com a mania, descobre um sexto sentido – o poético -, elege o murmúrio como “o único meio de comunicação fundamental e confiável”, coloca frente a frente o boato e a mentira e, praticamente a fechar, fala de si próprio como um escritor “impaciente-paciente”. Para quem gosta de livros e de tudo o que está ao seu redor, “O Vício dos Livros II” é mais um para coleccionar.











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