Aproveitando a boleia da estreia da mini-série televisiva “Os Sete Relógios de Agatha Christie”, em exibição na Netflix, a editora Asa trouxe-nos uma reedição de “O Mistério dos Sete Relógios” (Asa, 2025 – reedição), que chega com uma nova sobre-capa e um nome retocado, fazendo a ligação à série. E em boa hora o fez, uma vez que a versão televisiva está longe de fazer justiça ao livro de Agatha Christie – aliás, dá tantas voltas que poderia passar por uma outra história. Se viram a série, leiam “O Mistério dos Sete Relógios” e descubram as diferenças.
Na manhã que antecede uma festa em casa de Lady Coote, os amigos de Gerry Wade discutem entre si qual a melhor forma de lhe pregarem uma partida. Isto porque, para Wade, uma boa noite de sono equivale a que, no dia seguinte, o pequeno-almoço seja tomado a horas de um lanche tardio. Depois de um pequeno concílio, optam pela compra de oito despertadores. O plano passa por escondê-los no quarto de Wade, pondo-os a tocar uns a seguir aos outros para que o amigo se veja às aranhas a partir das 6h30 da manhã e a intervalos regulares. A verdade é que Wade não irá acordar com qualquer um dos despertadores, uma vez que irá morrer durante a noite naquilo que a polícia considera ser uma morte acidental – ou um suicídio calculado.
Quem duvida desta conclusão é Bundle, alguém que vive sobe o lema “o bem-estar não me chega, quero emoção”, e que irá conduzir uma investigação por conta própria, levando-a a descobrir uma carta inacabada que Wade terá escrito na véspera de ter sido morto – e que parece ligar o seu assassinato à expressão “Sete Relógios”. Para ajudar ao mistério, os relógios que os amigos de Wade deixaram escondidos em lugares diferentes do quarto estavam alinhados na cabeceira da cama de Wade no dia seguinte, mas em vez dos oito relógios apenas estavam… sete. A investigação oficial irá passar pelas mãos do inspector-chefe Battle, que tudo fará para que Bundle desista dos seus intentos, missão que parece condenada ao fracasso.
Tal como nos policiais de Agatha Christie, a narrativa vai decorrendo em lume brando até à fervura final, momento em que a fasquia sobe e tudo é finalmente revelado, deixando quase sempre o leitor à toa com a sua falta de olho. Um policial à boa moda de Christie.











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