Depois da publicação de “A Livraria dos Gatos Pretos” (ler crítica), um policial à boa moda antiga que nos apresentou a uma livraria famosa – mas quase falida –, casa dos gatos Miss Marple e Poirot, o Clube de Autor volta a editar mais um livro de Piergiogio Pulixi.
Desta vez, Marzio Montecristo, o irascível livreiro que abandonou a vida de professor depois de espetar uma agressão a um pai armado, vê-se encostado à parede por Patricia, a ajudante da livraria com veia para as relações públicas e vendas, que ameaça o despedimento caso o patrão não aceite uma oferta paga que caiu do céu.
Aristide Galeazzo, um dos mais acarinhados e controversos escritores italianos, vai escrever os últimos capítulos do seu novo livro a bordo de um cruzeiro. De forma a capitalizar o lançamento, a editora organizou uma volta à Sardenha por água, com paragens nos principais portos, numa colagem pouco inocente ao clássico “A Morte no Nilo”, de Agatha Christie. Caberá a Marzio a venda dos livros a bordo do cruzeiro, o que lhe valerá uma quantia suficiente para manter a livraria à tona durante uns largos meses – isto se conseguir manter a boca fechada, ele que é um hater assumido dos livros de Galeazzo.
Na companhia de Marzio seguem os gatos e também o inspector Caruso, um sério candidato a juntar-se ao restrito Clube do Policial que Marzio e um unido e obcecado elenco mantém vivo na livraria. Porém, um assassinato a bordo do navio vai transformar aquele que seria um momento de marketing numa caça ao assassino, protagonizada por um detective amador e um inspector que terá, muitas vezes, de fazer o papel de ama seca.
Ainda que uns furinhos abaixo do livro anterior, sobretudo pelo facto de ficarmos privados do humor mordaz de Patricia durante a travessia, “Se os Gatos Falassem” (Clube do Autor, 2026) mantém Piergiogio Pulixi no nosso radar, num livro que volta a brindar o leitor com uma série de autores e livros do cânone mais ou menos conhecido da história do policial – e que poderão servir de alimento a futuras leituras. Marzio continua a ser o nosso livreiro preferido, à boleia de tiradas como esta: “A auto-ficção corresponde ao autotune para a música”. Venha de lá a próxima sessão deste Clube de Leitura.











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