A Seita continua a oferecer-nos um olhar alternativo sobre Lucky Luke, o cowboy que dispara mais rápido que a própria sombra e cuja primeira publicação remonta ao ano de 1947. Uma colecção de tributo que conta já com os volumes “O Homem que Matou Lucky Luke” (ler crítica), “Lucky Luke Muda de Sela” (ler crítica), “Procura-se Lucky Luke” (ler crítica), “Jolly Jumper Já Não Responde” (ler crítica), “Os Choco-Boys” (ler crítica) e “Dakota 1880” (ler crítica), a que se vem juntar este “Lucky Luke: Os Indomados” (A Seita, 2024), com argumento e desenho de Blutch e cores de Daniel Blancou.
A vida de cowboy é dura, pelo que Lucky Luke já vai pensando em meter os papéis da reforma. Afinal, como se diz na pradaria, “um dia viras-te e reparas que não viveste”. Os seus planos vêem-se abalados com a entrada em cena dos pirralhos – e irmãos – Rose e Casper Kinker, crianças esfomeadas e por conta própria no mundo – “O pai partiu em busca de ouro, a mãe partiu em busca do pai… e o Rufus partiu ontem” -, que olham para o crime como a saída mais óbvia.

Na falta de uma comissão de protecção de menores, Luke decide entregar as crianças ao xerife, mas cedo descobrirá que a negligência familiar é apenas uma cortina de fumo. Nas páginas seguintes, Blutch transporta o leitor até El Paso, lugar que vive sob o lema “a lei, a ordem e às vezes a justiça”, numa missão que envolve um xerife papalvo, um sabichão chefe comanche e que, a certo ponto, encaixaria que nem uma luva a um Tom Cruise em miniatura.
O final reserva um largo bloco de extras e complementos, que vai desde a planificação a lápis e desenhos preparatórios a uma entrevista com o autor, que fala de Lucky Luke como “a minha primeira língua na escola”. Com Blutch, nunca Lucky Luke esteve tão próximo da parentalidade.











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