É uma daquelas edições que, para uma melhor leitura dos balões de texto e um olhar mais atento e demorado aos desenhos, merecia a edição no formato habitualmente dedicado aos álbuns de BD franco-belgas. Escrito e desenhado por Ricardo Santo, “Boarding Pass” (A Seita/Comic Heart, 2024) assenta arraiais em Barcelona, numa viagem por várias temáticas que parte desta máxima: “Poder emigrar é um direito, ter de emigrar é uma injustiça”.

Passado num bairro industrial a viver, como muitos outros bairros por toda a Europa, um processo de gentrificação, “Boarding Pass” lança um olhar à vida dos imigrantes, que fintam como podem o problema da habitação sob o jugo da especulação imobiliária, entre despejos, demolição, reconstrução e ocupação de edifícios.
A história divide-se em duas frentes – o percurso de Omar, um jovem natural do Senegal que, na busca de uma vida melhor, se vê arrastado para (e por) uma rede criminosa; e Ângela, a guitarrista da banda rock com mais atitude que esmero, que acaba por se cruzar com Omar, também ele músico -, a que se juntam outras histórias, numa polifonia urbana sobre a busca de sentido num lugar pouco dado a alimentar os sonhos existenciais de cada um.

Para o final está guardado um caderno de extras com duas páginas, onde nos são dados esboços e fotografias que terão servido de mapeamento gráfico ao nível de cenários. Uma boa surpresa de edição nacional, que nos vai fazer ficar de olho em Ricardo Santo.











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