Da autoria de Michel Plessix (1959-2017), ilustrador conhecido pelas suas adaptações poéticas de clássicos da literatura, “O Vento nas Areias” (Arte de Autor, 2025) é a adaptação e sequela imaginária do clássico infantil “O Vento nos Salgueiros”, a obra mais celebrada do britânico Kenneth Grahame. Com edição em capa dura pela Arte de Autor, o álbum reúne os cinco volumes da edição original.
Partindo do clássico de Kenneth Grahame, Michel Plessix inventa quase um universo paralelo para o Rato, a Toupeira, o Sapo e o Texugo, fazendo-os partir da tranquilidade do Bosque Selvagem para outras mais exóticas (e quentes) paisagens.

A decisão de partir não é fácil, uma vez que o Rato não é dado a grandes revoluções. “Ele, aquele que ficava sempre, sabia que o tempo que se seguia também tinha o seu interesse” e, “se cada partida é assim tão dolorosa, porque não ficar?”. As suas convicções e verdades acabam por ser abaladas pelos relatos das aventuras de um rato marinheiro, mas sobretudo pela aventurosa inconsciência do desmiolado Sapo, que decide partir depois de escutar tantas narrativas heróicas.

Michel Plessix oferece aos leitores um cruzamento entre s Mil e Uma Noites e A Corrida Mais Louca do Mundo, onde este grupo de aventureiros cruzará o deserto em busca de um tesouro sem fundo, por entre a poesia de Rumi e tocando em temas como a empatia e o bem receber, o engano e a dissimulação.
As ilustrações são plenas de detalhes, fazendo com que cada vinheta seja alvo de um olhar demorado, numa expansão muito bem conseguida da obra de Kenneth Grahame, à qual Plessix confere uma vivacidade extremamente humana a um insólito grupo de animais.











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