Diz a sabedoria popular que, na falta de um cão, o melhor é arranjar um gato e seguir para a caça. Um ensinamento passado de geração em geração que Joana Estrela aplicou em “Miau!” (ler crítica), uma aproximação ao universo da BD com muitos miados, alguns latidos e outros sons provenientes do reino animal.

Uma história que ganha continuação neste “Ão Ão!” (Planeta Tangerina, 2025), onde a menina do livro anterior e os seus dois gatos vão passar uns dias a uma quinta, onde um cão assume o papel de protagonista.
Bastam duas páginas para nos sentirmos em casa – ou melhor, na casa de Joana Estrela -, seja na página inteira, na qual a mãe conduz enquanto todos dormem – até mesmo os gatos -, seja nas seis silenciosas vinhetas dispostas logo a seguir, onde acompanhamos o itinerário da viagem por entre variações de luz – natural ou eléctrica – ou mudanças na paisagem natural e urbana.

Trocando o azul do livro anterior pelo verde, Joana Estrela desenhou uma sinfonia sem palavras, que vive unicamente do som dos animais, de um assobio por imitação ou de uma faca a cortar legumes – quem sabe, uma homenagem nostálgica aos belos dias passados no campo ou entre animais. Depois disto, ficámos a sonhar com uma versão de “O Guardador de Rebanhos” desenhada por Joana Estrela.











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