“O Clube de Leitura da CIA” (Casa das Letras, 2025) aborda a história de um programa secreto da CIA durante a Guerra Fria, que contrabandeou milhões de livros para países do Bloco de Leste sob censura soviética, com especial enfoque sobre a Polónia.
Desde obras distópicas que criticam a sociedade através de cenários opressivos, de autores como George Orwell ou Aldous Huxley, até aos mistérios e crimes de Agatha Christie, os livros eram contrabandeados para o outro lado da Cortina de Ferro das formas mais engenhosas, desde balões a compartimentos secretos em comboios.
A obra de Charlie English sublinha a importância do livro como “arma intelectual” na Guerra Fria, explorando a ideia de que a guerra ideológica pode ser tão ou mais importante que a guerra bélica, levando o leitor a pensar sobre o poder da intelectualidade.
Trata-se de uma operação pouco conhecida, o que dá ao livro um apelo de descoberta histórica, conduzida com mestria por um autor que deixa transparecer a sua experiência jornalística, com uma boa base de pesquisa, entrevistas a fontes e construção dos relatos que impõem um ritmo semelhante ao de um thriller. English consegue documentar bem a operação, incluindo detalhes sobre quantos livros foram enviados, para onde, de que forma, e quais os métodos usados. Apesar de se tratar de uma obra de não-ficção, a leitura não é seca, com os leitores a serem confrontados com momentos de tensão que mantêm o interesse vivo e o leitor atento.
Funcionando como um lembrete da importância da liberdade de expressão e do acesso à informação, o livro mostra como a cultura, a literatura e as ideias desempenham um papel essencial nas lutas políticas, demonstrando a resiliência de pessoas sob regimes opressivos, onde os livros podem ser “faróis de esperança”. Por outro lado, “O Clube de Leitura da CIA” leva também a equacionar implicações éticas, de se ver uma agência estrangeira – nomeadamente a CIA – a trabalhar activamente para influenciar intelectualmente um povo estrangeiro.












Sem Comentários