Pela primeira vez em Portugal, os Modern Nature vêm apresentar o mais recente longa-duração, “The Heat Warps”, com dois concertos em Lisboa (16 de Abril, Casa Capitão) e no Porto (17 de Abril, M.Ou.Co).
Os bilhetes para os concertos na Casa Capitão e no M.Ou.Co estão disponíveis na DICE (concerto de Lisboa) e na Ticketline (concerto do Porto).
Liderado por Jack Cooper, o quarteto de Cambridge, no Reino Unido, começou com uma formação fluida, aberta à experimentação e à transformação constante. Mas, durante a digressão de “No Fixed Point In Space” (2023), tornou-se claro que algo estava a mudar. Depois de anos a expandir-se de forma livre e abstracta, a música parecia agora pedir estrutura, forma e direcção mais concretas. À medida que os temas se organizavam em grooves mais definidos, o frontman percebeu que um novo capítulo se tinha aberto.
O momento coincidiu com uma consolidação natural da formação. O núcleo duro – Jack Cooper (guitarra), Jim Wallis (bateria) e Jeff Tobias (baixo) – ganhou uma nova dimensão com a entrada da guitarrista Tara Cunningham. O resultado foi um som mais focado e poderoso, assente num diálogo entre duas guitarras que funcionou como uma unidade, criando equilíbrio, tensão e movimento em torno da secção rítmica. Onde antes havia múltiplos músicos em órbita, tornou-se evidente que quatro pessoas eram suficientes para dizer mais e com maior clareza.
“The Heat Warps” (2025) surge como um despertar criativo e corolário desta metamorfose: retoma temas recorrentes no repertório dos Modern Nature – o colectivismo, a relação com o mundo natural, o peso da consciência –, mas agora de modo frontal e urgente, perante uma realidade cada vez mais confusa, dura e impossível de ignorar.
Gravado num processo intenso que privilegiou a energia do grupo a tocar em conjunto, o último álbum capta a telepatia e a fricção de uma banda no mesmo espaço, com todas as imperfeições e subtilezas que isso implica. Influências como Can, Television, Brian Eno ou até a filosofia de Andrew Weatherall dialogam com reflexões sobre a crise ambiental, a desinformação e a responsabilidade colectiva, sem nunca cair no cinismo. Apesar de lidar com circunstâncias sombrias, The Heat Warps mantém um optimismo lúcido, encontrando beleza, consolo e até uma espécie de “niilismo romântico” no meio do caos.
Em Lisboa e no Porto, no mês de Abril, os Modern Nature mostram-se num ponto de plena afirmação, onde a intimidade, a intensidade e a sensação de algo vivo e irrepetível em palco são parte essencial da experiência.

Foto: Michael Stasiak
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Promotora: Uguru











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