“Raio de Luz” (Nuvem de letras, 2025) é uma narrativa gráfica extraordinária. Se o texto se caracteriza pela contenção, a dimensão visual revela-se particularmente expressiva. Kelly Canby opta por um estilo gráfico marcado por linhas simples, formas claras e uma paleta cromática relativamente limitada, mas forte e significativa, opção estética que reforça a legibilidade da narrativa.
A figura do raio de luz surge como elemento visual estruturante, uma presença que atravessa as páginas do livro e orienta o olhar do leitor, funcionando quase como um fio narrativo que liga diferentes momentos da história. As personagens são representadas de forma estilizada, mas dotadas de grande expressividade gestual, onde pequenas mudanças de postura ou de expressão facial se tornam suficientes para transmitir estados emocionais distintos. É muito eficaz a forma como Canby gere o espaço da página: áreas amplas de vazio, que acentuam o contraste com o feixe luminoso. Um jogo entre luz e espaço que contribui para criar uma atmosfera visual, que reforça o simbolismo da narrativa.
“Raio de Luz” apresenta uma escrita quase minimalista, cabendo à ilustração dar ênfase à narrativa, ampliando o universo emocional da história. O raio de luz surge como elemento visual estruturante, um verdadeiro fio narrativo. A sua presença atravessa as páginas do livro, realça detalhes que permitem o leitor orientar o seu olhar, a participar na construção de sentido e a progredir na narrativa.
Afinal, de que nos fala este texto? Da história de uma pequena cidade que se sentia protegida entre muros, mas que estava mesmo a precisar de um raio de luz para construir pontes e abrir janelas e portas à diferença, a tudo aquilo que se possa pensar que é esquisito, estranho, excêntrico e desconhecido. De derrubar muros, para transformar o quotidiano em cor, exuberância e diversidade, despertando a curiosidade e descobrindo novas formas de olhar o mundo. Um excelente livro para ler a par e/ou em família – para ler e dialogar.











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