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Crítica, Mil Folhas 2

“O Anjo da Guarda do Avô” | Jutta Bauer

Por Andreia Rasga · Em 29/10/2014

À primeira vista, ou melhor, à primeira leitura, este livro poderia falar da morte. Mas, depois, lido e relido, folheado em vários sentidos e travado o olhar numa ou numa outra página, em especial, este é um livro sobre a vida. A vida com o melhor que ela tem: a proteção eterna de quem nos ama.

“O Anjo da Guarda do Avô” (GATAfunho, 2014) é mais uma obra-prima da escritora e ilustradora alemã Jutta Bauer, de quem conhecemos e admiramos títulos como “Quando a Mãe Grita” e “Selma”. Este novo livro é um raio de luz dentro de um tema tão escuro e um desenrolar de memórias felizes no momento mais triste de todos. Se esta história tivesse, obrigatoriamente, de ser resumida numa única palavra, ela teria de ser “sensibilidade”. A sensibilidade está nas frases curtas, exatas, sem palavras a mais ou emoção a menos. A sensibilidade está nas ilustrações, feitas a aguarela, cujos traço fino e delicado e os tons suaves a tender para o pastel envolvem e envolvem-nos. A sensibilidade está na história, no avô que recorda, em breves “flashes”, uma vida feliz, e no neto bafejado depois pela sua sorte e proteção. A sensibilidade está, até, na textura do papel, na maciez da capa, no formato pequeno e quase quadrado do próprio livro, enfatizando a discrição, resguardando-o como um valioso tesouro.

GATAfunho, O Anjo da Guarda do Avô, Jutta BauerTudo é dito sem dizer: o momento de despedida entre um avô que parte deste mundo e um neto prestes a desfrutar dele. O balanço de uma vida cheia, plena, sobejamente feliz, desfrutada e marcada, ali entregue aos olhos de uma criança com tudo por acontecer. O anjo, apenas delineado, que acompanha cada passo, cada episódio da vida do avô e, por fim, espera o menino à saída do hospital num dia luminoso e quente. O tema está lá sem ser declarado, sem ser tocado sequer. Fala-se de felicidade e de experiência, fala-se de aprendizagem e de legado, pinta-se um dia de luz para uma despedida cinzenta.

Distinguida em 2010 com o prémio Hans Christian Andersen de Ilustração, Jutta Bauer é um caso muito especial da literatura infantil: tem poucos livros editados, ainda menos em Portugal, mas cada um revela-se uma verdadeira joia rara, que merece ser avaliada e admirada por quem saiba verdadeiramente apreciar. Os seus livros, como é o caso deste “O Anjo da Guarda do Avô”, são inicialmente pensados e concebidos para adultos. Na verdade, eles chegam às crianças e aos maiores, emocionam igualmente uns e outros, fazem pensar e questionar grandes e pequenos, porque o importante não está na idade, está na tal palavra que norteia todo o universo deste livro e de toda a obra da autora: sensibilidade.

GATAfunhoJutta BauerO Anjo da Guarda do Avô

Andreia Rasga

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2 Commentários

  • Ana Paula comentou: 29/10/2014 at 21:11

    Obrigada pelos comentários a este livro publicado na GATAfunho.
    O texto está escrito com muita sensibilidade, muito bem redigido, a análise perfeita! Este foi um livro que demorei a publicar (há algum tempo que estava contratado), mas é também um dos que mais me orgulho de ter no nosso catálogo.
    Obrigada pelas palavras, pela excelente análise.
    Vamos publicar no nosso blogue e também referir na nossa página fb. Também no site, na descrição do livro, vamos colocar o link para aqui. Podemos?

    Abraço.

    Resposta
    • Pedro Miguel Silva comentou: 30/10/2014 at 00:10

      Claro que sim Ana Paula, obrigado pelas simpáticas palavras 🙂

      Resposta

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