Já há datas para a edição 2025 do Porto/Post/Doc. Entre 20 e 29 de Novembro, o festival volta a ocupar vários espaços do Porto, com uma programação centrada no documentário contemporâneo e na discussão dos temas que marcam a vida dos nossos tempos. Está já fechado o ciclo temático do evento, sob o mote O Tempo de Uma Viagem.

O ciclo prolonga o programa O Movimento dos Povos, iniciado em 2024 com “A Europa Não Existe, Eu Estive Lá”, e que será concluído em 2026 com “O País dos Outros”. Neste programa, o Porto/Post/Doc pretende reafirmar o seu compromisso com um cinema que pensa o tempo em que vivemos, em articulação com o Fórum do Real e outras actividades de reflexão e diálogo dentro do festival. Os filmes deste ciclo cruzam geografias e temporalidades – da Polónia, ao Afeganistão, da Turquia ao deserto da Argélia. Cinco filmes, cinco modos de interrogar as formas de movimento forçado e voluntário que marcam o nosso tempo. Ficam as apresentações.
Através de imagens de arquivo, “Comboios”, de Maciej Drygas, surge como símbolo ambivalente de evasão, guerra, deportação e fuga, espelhando os horrores e esperanças do século XX.
Em “O Viajante da Meia-Noite”, de Hassan Fazil, uma família afegã regista, com os seus telemóveis, a angustiante travessia por vários países em fuga da guerra e da perseguição política.
Com “YOL – Licença Precária”, apresentamos a nova versão integral e restaurada do filme escrito por Yılmaz Güney e realizado por Şerif Gören, recuperando a visão original desta obra essencial sobre resistência e sobrevivência sob o regime turco.
Naquele que é um dos seus mais íntimos documentários (“Nómada: Seguindo os Passos de Bruce Chatwin”), Werner Herzog revisita os passos do amigo e escritor Bruce Chatwin numa reflexão poética sobre o nomadismo, a amizade e a destruição cultural pelo turismo.
Hassen Ferhani filma, em “Rua do Deserto, 143”, uma casa de chá perdida no deserto, onde uma mulher única, Malika, acolhe viajantes cujas histórias revelam, em encontros fugazes, a força do cinema do real como espelho da humanidade.
Segundo a direcção do festival, “num tempo em que a mobilidade é celebrada para uns e negada a tantos outros, este ciclo propõe uma inversão de perspectiva: olhar para a viagem não como exceção, mas como regra. Não como metáfora, mas como matéria concreta, questionando os discursos fáceis, os mapas fixos, os conceitos estanques de identidade e pertença. Nesta edição, convidamos o público a fazer estas viagens connosco. Não para encontrar respostas definitivas, mas para abrir espaço ao que é essencial: a escuta, a dúvida e o reconhecimento do outro, num movimento incessante e vital”.











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