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Olhares do Mediterrâneo quer Semear Resistências e Cultivar Utopias

Por Deus Me Livro · Em 19/09/2025

“Semear Resistências, Cultivar Utopias”. É este o mote que move a 12ª edição de Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival, que este ano irá decorrer de 28 de Outubro a 6 de Novembro em seis salas de cinema e espaços culturais de Lisboa: Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa, Museu do Aljube, Casa do Comum, ISCTE-IUL e Goethe-Institut.

Assumindo a missão de promover o cinema feito pelas mulheres do Mediterrâneo, através de filmes que incentivam o debate sobre temas impactantes, o Festival propõe uma programação cinematográfica composta por 63 filmes (longas e curtas-metragens) produzidos por 29 países. Deste total, 12 são produções portuguesas, incluindo a estreia mundial do documentário “Mulheres, Terra, Revolução”, de Rita Calvário e Cecília Honório.

O Festival arranca no dia 28 de Outubro no Museu do Aljube, estando a sessão oficial de abertura marcada para 30 de Outubro, no Cinema São Jorge, com o filme “Where the Wind Comes From”, primeira longa-metragem da jovem realizadora tunisina Amel Guellaty. Esta co-produção da Tunísia, França e Qatar, que teve a sua estreia nas edições mais recentes do Sundance Festival e do International Film Festival Rotterdam, é um road movie que acompanha Alyssa e Mehdi – ela rebelde e imprudente, ele sensível e cauteloso – numa viagem pela Tunísia em busca de liberdade.

Na sessão de encerramento da secção competitiva do Festival, dia 2 de Novembro no Cinema São Jorge, será exibido “The Dreamer”, realizado pela francesa Anaïs Tellenne. Apresentado na selecção oficial da 80ª edição da Mostra Internacional de Cinema de Veneza, o filme debruça-se sobre o impacto da arte na vida e sobre como o olhar dos outros nos condiciona e define. A longa-metragem é inspirada no actor Raphaël Thiéry, que interpreta o protagonista homónimo, retratando o encontro entre um homem de quase 60 anos com apenas um olho, que parece um gigante gentil, e uma artista plástica carismática e desinibida.

Os filmes em competição são 53, organizados em quatro secções: Competição geral longas-metragens, Competição geral curtas-metragens, Secção Especial Travessias – composta por filmes sobre migrações, racismo e colonialismo – e a Competição Começar a Olhar – com filmes de escola.

O programa inclui ainda vários filmes fora de competição. Vencedor do prémio de melhor documentário no Festival de Cannes de 2024, “The Brink of Dreams”, da dupla egípcia Nada Riyadh e Ayman El Amir, será exibido no Cinema São Jorge a 31 de Outubro, precedido por uma masterclass da realizadora Nada Riyadh. Esta é a segunda obra do casal e foi filmada em uma pequena localidade isolada no sul do Egipto, onde um grupo de raparigas decidiu formar uma trupe de teatro de rua exclusivamente feminina.

“Guardadoras de Histórias, Guardiãs da Palavra” (Portugal), de Raquel Freire, será apresentado no Museu do Aljube no dia 4 de Novembro. Este documentário amplia as vozes de escritoras de várias gerações, dos países do Atlântico afro-luso-brasileiro, que falam de criação, memórias, periferias e resistências literárias e culturais.

De 3 a 6 de Novembro, na Cinemateca Portuguesa, são apresentados quatro filmes de duas cineastas balcânicas, a realizadora e produtora bósnia Jasmila Žbanić e a actriz e realizadora sérvia Mirjana Karanović. Trata-se de uma mostra focada na narração da violência e dos genocídios que marcaram a Guerra Civil Jugoslava (1991-2001). A mostra, que contará com a presença das duas realizadoras, testemunha como o cinema pode ser uma forma de resistência contra a violência e o sectarismo. Em programa, três obras de Jasmila Žbanić – “Esma’s Secret”, com Mirjana Karanović no papel de protagonista e vencedor do Urso de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Berlim em 2006; “On The Path” (2010); nunca exibido antes em Portugal e “Quo Vadis, Aida?” (2020) – e uma de Mirjana Karanović – “A Good Wife” (2016), produzida por Žbanić.

Uma novidade na programação deste ano é a presença proeminente das questões ambientais, com duas sessões de filmes que se debruçam de formas muito diferentes sobre a relação entre os humanos e a natureza, e um workshop intitulado “Can Cinema Help Save the Planet?”. Outros temas fortes do Festival são o assédio sexual e a violência de género, a ocupação israelita da Palestina, a luta pela independência das mulheres saharawis e as histórias das mulheres curdas e yazidis. Na secção temática Travessias, o enfoque continua a ser nos refugiados, nas migrações forçadas, no racismo e no colonialismo passado e presente.

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Para o público mais novo, além das sessões para escolas no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa, o Festival apresenta uma sessão para famílias na manhã de domingo, 2 de Novembro, no Cinema São Jorge, com sete curtas de ficção e animação para crianças dos 6 aos 12 anos.

A programação cinematográfica é acompanhada por um programa de debates após os filmes e workshops temáticos para o público em geral, assim como um programa de indústria diversificado, que tem o apoio da EURIMAGES Gender Equality Sponsorship. Haverá uma série de actividades, como uma Awareness Workshop dedicada ao tema da acessibilidade do cinema em sala na óptica das pessoas com incapacidade visual e auditiva; uma sessão de pitching de curtas-metragens de realizadoras em início de carreira; uma mesa-redonda sobre a criação de programas de indústria originais e impactantes em festivais pequenos e/ou periféricos, capazes de impulsionar o trabalho das mulheres. Renova-se também a colaboração com a MUTIM – Mulheres Trabalhadoras das Imagens em Movimento, com duas actividades no Goethe-Institut: a 2ª edição do workshop de escrita para cinema e o 3º Encontro Olhares do Mediterrâneo / MUTIM, sobre o tema “Como fugir a estereótipos na escrita de intimidade?”.

Durante o mês de Outubro, antes do arranque do Festival, haverão diversas sessões “de aquecimento” em vários espaços culturais de Lisboa.

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